Há oito anos, Sérgio Barbosa dos Santos assumiu a presidência do Balantuna Futsal acreditando que era possível fazer diferente. Hoje, lidera o clube valboense que alia crescimento desportivo e organizacional à preservação dos valores que marcam a sua história. Nesta entrevista, o presidente fala do percurso realizado, dos desafios superados e da visão que continua a orientar o clube: crescer sem nunca perder a sua identidade.
Após vencer a Taça da AF Porto, em maio, a Balantuna Futsal voltou a fazer história ao conquistar a Supertaça da associação, em setembro. Que significado têm estas conquistas para o clube e de que forma refletem o trabalho desenvolvido por atletas, equipa técnica e direção?
Estas conquistas representam muito mais do que dois troféus no nosso palmarés. Representam a confirmação de que estamos no caminho certo, de que o trabalho sério, a dedicação, a competência e, sobretudo, a união de um grupo de pessoas que acredita profundamente neste projeto podem transformar ambições em realidades. Acima de tudo, estas vitórias reforçam uma convicção que temos desde o início de que é possível construir um clube competitivo sem abdicar dos seus valores, da sua identidade e da sua missão formativa. São conquistas que muito nos orgulham, mas que também aumentam a nossa responsabilidade. Queremos que sejam uma inspiração para os nossos jovens atletas e não um ponto de chegada.
Recentemente, o guarda-redes da equipa de Sub-13 foi convocado para a seleção distrital da AF Porto. Como recebeu o clube esta notícia e o que representa esta chamada para o atleta e para a formação da Balantuna Futsal?
Recebemos esta convocatória com enorme orgulho e satisfação. É um reconhecimento individual absolutamente merecido, mas que tem também um significado coletivo muito importante para a Balantuna. Acreditamos que formar é muito mais do que ensinar a jogar futsal. É desenvolver competências, transmitir valores, criar hábitos de trabalho, fomentar a responsabilidade e ajudar cada criança e jovem a descobrir e potenciar as suas capacidades. O sucesso de um atleta não se mede apenas pelas convocatórias que recebe, mas sobretudo pela pessoa em que se transforma ao longo do seu percurso. Queremos continuar a formar bons jogadores, naturalmente, mas temos uma ambição ainda maior: formar excelentes pessoas.
Após estes sucessos desportivos e o reconhecimento dos seus jovens atletas, qual é a principal prioridade do clube nesta fase da época e quais os objetivos que pretende alcançar a curto e médio prazo?
A nossa principal prioridade é continuar a consolidar o projeto Balantuna, garantindo que o crescimento desportivo é acompanhado por um crescimento organizacional, estrutural e humano. Os títulos são importantes e queremos continuar a conquistá-los. Somos um clube competitivo, ambicioso e que entra em todas as competições com vontade de vencer. Mas temos perfeita consciência de que o verdadeiro sucesso de uma organização desportiva se constrói através da consistência e da sustentabilidade. A curto prazo, queremos proporcionar as melhores condições possíveis aos nossos atletas e equipas técnicas, reforçar a qualidade do processo formativo, consolidar os nossos escalões e continuar a afirmar a equipa sénior como uma referência competitiva. A médio prazo, pretendemos fortalecer a estrutura do Clube, desenvolver novas parcerias, aumentar a capacidade de captação e retenção de atletas e continuar a investir na qualificação dos nossos recursos humanos. Não queremos crescer apenas em número. O nosso lema para esta época, NATUS VINCERE, traduz a mentalidade competitiva que pretendemos incutir, mas está acompanhado por três palavras que definem a essência do nosso projeto: FORMAR. EVOLUIR. COMPETIR.
Quantos escalões de formação tem a Balantuna Futsal e quantos jovens atletas fazem parte do clube?
Atualmente, a Balantuna conta com 10 equipas em competição e 127 atletas inscritos, números que refletem o crescimento sustentado do nosso projeto desportivo. São 127 atletas, com diferentes idades, capacidades, sonhos e expectativas, que encontram na Balantuna um espaço de aprendizagem, desenvolvimento, competição e crescimento pessoal. Não queremos crescer apenas para sermos maiores. Queremos crescer para sermos melhores. O nosso objetivo é que cada atleta e cada família sintam que fazem parte de um projeto sério, organizado e com uma identidade muito própria. Porque, na Balantuna, cada atleta conta, cada pessoa importa e todos fazem parte de algo maior do que uma equipa.
Quais são os principais desafios e dificuldades que a Balantuna enfrenta no seu dia a dia, quer ao nível financeiro, quer ao nível das infraestruturas, recursos humanos ou captação de atletas?
Os desafios são muitos e são, em grande medida, comuns à generalidade dos clubes que desenvolvem projetos desportivos ambiciosos, particularmente aqueles que apostam seriamente na formação. Os resultados desportivos, a consolidação da formação e a evolução da nossa estrutura colocam-nos perante um desafio fundamental de criar as condições necessárias para que o desenvolvimento organizacional e financeiro acompanhe a ambição desportiva. Neste contexto, identificamos duas prioridades estruturais muito claras: a curto prazo, seria particularmente importante conseguirmos uma sede própria para o Clube e, a médio prazo, conseguir a exploração exclusiva de uma infraestrutura desportiva ou, idealmente, avançar para a construção de um pavilhão próprio. Queremos que a Balantuna tenha condições para continuar a crescer, elevar os seus níveis de exigência e competitividade e, progressivamente, deixar de estar limitada ao âmbito distrital, afirmando-se e consolidando-se no panorama nacional do futsal. Naturalmente, temos consciência de que estes objetivos exigem investimento, planeamento, parceiros estratégicos e uma forte articulação com as entidades públicas e privadas.