Cultura Fânzeres e S. Pedro da Cova

Albertino Valadares celebra 40 anos de carreira artística

Aos 67 anos, Albertino Valadares prepara-se para assinalar quatro décadas de carreira artística com uma exposição-homenagem e a apresentação de um livro-catálogo. A celebração está marcada para o dia 19 de setembro, às 16h00, no Auditório Municipal de Gondomar, onde estarão reunidas algumas das obras mais marcantes do seu percurso.

Apesar de a sua carreira artística celebrar 40 anos, a relação de Albertino Valadares com a pintura começou ainda antes. Em 1986, apresentou dois quadros na Agroindústria, na Escola Secundária de Gondomar, trabalhos que vão agora voltar a ser expostos no âmbito desta comemoração. Três anos mais tarde, em 1989, realizou a primeira exposição individual, dando início a um percurso que se prolonga até aos dias de hoje.

Durante grande parte da sua vida profissional, Albertino Valadares trabalhou na Alfândega do Porto, como despachante oficial. A pintura foi crescendo em paralelo com a sua atividade profissional, primeiro como uma paixão e, mais tarde, como uma parte fundamental da sua vida. “Eu trabalhei desde os 13 anos na Alfândega do Porto. A minha vida profissional foi como empregado de escritório. Pintava porque gostava, não era para me abstrair do dia a dia”, recorda.

O artista tinha o escritório no primeiro andar e o atelier no segundo, aproveitando as horas de almoço e as noites para pintar. “Estava com o atelier virado para o rio e dava-me uma sensação de liberdade”, conta. O gosto pela pintura foi-se consolidando a partir dos 20 anos. Entre as referências que marcaram esse percurso está uma pintura do artista Guima, na Rua dos Clérigos, no Porto, baseada em bicicletas.

A paixão levou-o, em 1985, a visitar a Agroindústria acompanhado pela mulher e pela irmã. Na altura, fez uma promessa a si próprio: no ano seguinte apresentaria ali um ou dois quadros. E cumpriu. “Sempre gostei de pintura. Havia poucas galerias no Porto. 

O percurso artístico foi também marcado pelas pessoas que foi conhecendo ao longo dos anos. Entre elas destaca o mestre Júlio Resende, com quem diz identificar-se artisticamente. “Fui conhecendo muita gente no meio das artes e fui convivendo com o mestre Júlio Resende, com quem me identifico com o trabalho que pintava e pintou, também com esculturas”. Outro momento importante aconteceu com o nascimento da ARGO, há quase 37 anos. A entrada na associação, juntamente com outros colegas, representou um passo importante para o desenvolvimento da sua atividade artística.

“A minha pintura cresceu com o nascimento da ARGO. Com a minha entrada e a de alguns colegas, a criação da ARGO foi um passo que dei para a minha atividade em termos artísticos”. A pintura de Albertino Valadares assume uma dimensão predominantemente abstrata. O artista explica que nunca quis ficar preso a técnicas, escolas ou temas específicos. Sem formação em escolas ou ateliers de pintura, foi adquirindo conhecimento através da experiência e do contacto com outros artistas.

O próprio processo criativo é pouco convencional.  “Pinto no chão, uso muita água, “maltrato” os quadros que pinto, faço o que quero. Pinto à minha maneira”. A inspiração, explica, pode surgir de qualquer coisa. E embora reconheça que não domina o desenho tradicional, essa não é uma limitação para a sua pintura. “Não sei desenhar. Na minha pintura encontra-se pouco desenho, apenas coisas abstratas e não figurativas”.

Mais do que procurar uma resposta sobre se uma obra é bonita ou não, Albertino procura provocar uma reação em quem a observa. “Não gosto de usar a palavra ‘gostar’. Para mim, num quadro, ou se sente ou não se sente. Quando pinto é para as pessoas sentirem ou não. Esse é o objetivo”.

A exposição que será inaugurada a 19 de setembro reúne 129 quadros, abrangendo diferentes momentos dos 40 anos de percurso artístico. Entre as obras estarão trabalhos realizados desde 1986 e algumas das criações mais recentes. O artista destaca uma série de oito trabalhos intitulada “Memórias do Atelier”, realizada em 2026. As obras nasceram do próprio espaço onde trabalhou durante anos. “Era parte do papel de parede do atelier. Ao cortar, pintar e raspar ficam sempre marcas. A minha criação está na parte em que retiro o papel e retiro algo que me diga alguma coisa”. É uma criação que nasceu do acaso, um elemento que está também muito presente no processo artístico de Albertino Valadares.

A exposição será acompanhada pelo lançamento de um livro-catálogo que pretende reunir e documentar parte significativa do seu percurso. “De um total de cerca de 300 quadros, escolher entre 120 e 150 é uma tarefa complicada. Não queria tomar essa decisão, porque ou escolhia todos ou não escolhia todos”. O livro contará com um prefácio de Isolina Carvalho e textos de Fernando Couto, curador da exposição, da Vereadora da Cultura, Carla Ferreira, e do presidente da Câmara Municipal de Gondomar, Luís Filipe Araújo, além de outras individualidades que foram escrevendo sobre o seu trabalho ao longo dos anos.

No total, estima ter realizado entre 500 e 600 quadros. Ao longo das quatro décadas, Albertino Valadares teve oportunidade de expor em diferentes espaços, alguns dos quais permanecem particularmente marcados na sua memória. A Cisterna de Lamego, onde apresentou “Douro Internacional”, é um dos locais que recorda com maior carinho. “Foi dos sítios onde mais gostei de expor. Gostei muito do espaço, da água por baixo e da arquitetura. Foi em 2019”. O Forte de São João Batista, em Vila do Conde, é outro dos espaços que destaca. A exposição de Gondomar permitirá também revisitar outros trabalhos, entre eles a série “Era Uma Vez”, apresentada na Casa da Juventude de Rio Tinto e na Biblioteca de Fânzeres. Inspirados nas princesas da Disney, os trabalhos partem das histórias conhecidas do universo infantil, às quais Albertino acrescentou a sua própria interpretação artística. A celebração dos 40 anos representa, para Albertino Valadares, mais do que uma exposição. É a oportunidade de revisitar um percurso construído ao longo de décadas, entre a vida profissional e a paixão pela pintura.

A exposição-homenagem será inaugurada no dia 19 de setembro, às 16h00, no Auditório Municipal de Gondomar, permanecendo patente até 31 de outubro.  Ao longo deste percurso, Albertino Valadares destaca o apoio de várias instituições, nomeadamente a Câmara Municipal de Gondomar, a Junta de Freguesia de Fânzeres e a Junta de Freguesia de Rio Tinto. O artista considera que esse apoio foi fundamental para a concretização de diferentes projetos e para a continuidade do seu percurso artístico, que chega agora a um marco de quatro décadas.

Últimas Notícias

Albertino Valadares celebra 40 anos de carreira artística

21/08/2026

Exames nacionais: uma reforma digital marcada por falhas

21/08/2026

ALICE MOREIRA AMBICIONA IR AOS JOGOS PARALIMPICOS EM 2028

21/08/2026

Tradição dos tapetes floridos une festas em Fânzeres

20/08/2026

VI edição do “Cinema nos Moinhos” juntou natureza, património e cultura em Jancido

20/08/2026

Mund’art é símbolo de cultural em Fânzeres

20/08/2026

Francisca Gomes: “O Arraial de Verão veio para ficar”

19/08/2026

“O poder está a fragmentar-se e não a concentrar-se. Há cada vez mais protagonistas com poder”

19/08/2026