Concelho de Gondomar

Álvaro Santos: “Candidato-me com uma forte convicção e um espírito de missão que o Norte pode e precisa de dar um salto qualitativo a diversos níveis”

Álvaro Santos renunciou à vice-presidência da Câmara Municipal de Gaia dois meses após a sua tomada de posse para se candidatar à presidência da CCDR-N. As eleições serão na próxima segunda-feira, dia 12 de Janeiro.

Em Outubro de 2025 é eleito vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, renuncia ao mandato para se candidatar à CCDR-N em Janeiro de 2026. O que motiva esta candidatura?

Essencialmente, um convite que me foi dirigido pelo Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, que muito me honrou. O Presidente da Câmara de Gaia compreendeu esta minha missão de âmbito geográfico diferente e superior. Candidato-me com uma forte convicção e um espírito de missão que o Norte pode e precisa de dar um salto qualitativo a diversos níveis, porque tem um conjunto de potencialidades únicas no país a nível social, ambiental, de inovação e do seu tecido institucional, que é muito diversificado e rico. 

Espanta-me como é que uma região tão dinâmica, trabalhadora e produtiva não consegue dar este salto. Se calhar a maioria não sabe, mas a região norte tem o PIB per capita mais baixo de todas as regiões do país. Somos mais pobres que o Alentejo. Isto é incompreensível com o volume de investimentos comunitários que têm existido ao longo das últimas décadas. No concreto o programa Norte 2030, que começou em 2021 e termina em 2027, com um volume de investimento de 3,4 mil milhões de euros tem uma taxa de execução de 8,3%. Apenas 280 milhões de euros foram executados na região Norte em cinco anos. 

As pessoas que estão por dentro destes números sabem que é uma situação incompreensível. Não pode acontecer. Por isso tenho falado muito do foco da execução. O que está executado hoje é de 8,3% e a partir de hoje teremos de executar cerca de 92,7%. 

O Norte tem todas as condições para dar um salto qualitativo e o que move a minha candidatura é contribuir de forma efetiva para isso. Executar as oportunidades que temos. 

Sou engenheiro de base estou habituado a resolver problemas, a fazer pontes entre as pessoas e instituições. Acho que os meus métodos têm dado muito bons resultados e com as equipas que tenho reunido à minha volta. Temos de nos concentrar na solução. O tempo está-se a esgotar. O nosso país precisa muito do Norte. Está aqui um terço da população. Quanto mais depressa dermos este salto qualitativo melhor para o país. 

Uma questão importante para uma CCDR é a influência com o Governo português. Terá essa capacidade?

Acho que sim. O meu percurso fala por si. Comecei desde muito cedo, não dependendo da política. Aos 21 anos fui eleito para uma Assembleia Municipal em Ovar. Desde muito cedo tive experiência na vida autárquica. Sempre primei muito por ter a minha carreira profissional e dar o meu contributo público. 

Fui candidato à Câmara Municipal de Ovar, duas vezes, em 2005 e 2009, pés embora o facto de não ter sido eleito como presidente assumi o cargo de vereador com toda a humildade. Não é nenhuma vergonha para mim, é um orgulho.  Sempre estudei e trabalhei no Porto. 

Em 2003 fui Diretor Geral do Gabinete de estudos do Ministério do Ambiente nas cidades e Ordenamento de Território, foi a primeira direção geral fora de Lisboa, em Aveiro. Fui chefe de gabinete do Secretário de Estado, Almeida Henriques, Adjunto da Economia e do Desenvolvimento Regional, numa articulação com os municípios e fundos comunitários. Em 2014-2017 fui convidado pelo primeiro Primeiro-Ministro, Passos Coelho, e pelo ministro Jorge Moreira da Silva, para liderar a Reabilitação Urbana Porto Vivo. A quarta missão pública foi na Câmara de Gaia, apesar de muito curta (risos), faz parte do percurso. Espero que na próxima segunda-feira se inicie a minha quinta missão pública. 

Ao contrário das restantes CCDR’S, nesta CCDR-N haverá dois candidatos. Como justifica esta falta de entendimento na região? 

Não entendo que seja falta de entendimento. É o sistema democrático a funcionar em pleno, até porque isso está previsto na lei, há essa possibilidade de poder surgir candidatos de forma independente ou indicados por algum partido. 

Caso vença as eleições, na próxima segunda-feira, que presidente será?

Um presidente diferente, certamente. Um presidente que tem uma firme vontade de recuperar o tempo que a região tem perdido nos últimos anos. Não estou a fazer nenhuma acusação a ninguém, nem é isso que pretendo. A partir de segunda-feira temos de estar todos unidos, e mesmo assim vamos ser poucos, para levar esta grande missão pela frente. Com as minhas características, com a minha experiência, com o meu conhecimento, com a minha capacidade de fazer pontes, diálogos, de mobilizar a região, desde o presidente de Junta ao presidente da Câmara, sejam eles no poder ou na oposição, numa Assembleia Municipal, nas empresas, com os trabalhadores, com as coletividades. E, também, criar pontes com os centros de decisão, como Lisboa e Bruxelas. Até porque este último é a fonte de muitas oportunidades. 

Tudo em articulação com o programa do Governo. Temos tutela no governo. Não vou ser presidente do Norte, quero ser presidente da CCDR-N, que tem competências muito vastas. 

De acordo com os diversos indicadores a região tem apresentado um crescimento acima da média nacional em diversos setores, bem como as taxas de execução dos fundos, mais elevados. Como vê a região neste momento?

O Norte tem progredido em alguns indicadores. A região tem crescido, mas não tem convergido. As outras regiões estão a crescer mais. Não tem convergido, diria até que há alguma estagnação e em alguns pontos alguma divergência. 

A economia está no centro de tudo. Se pensarmos é mais importante realizar uma estrada que faça ligações ou uma empresa que crie emprego? Claro que é uma empresa que crie emprego qualificado e que permita remunerar melhor os seus funcionários. 

A minha critica é esta: temos crescido, mas não temos convergido. Continuamos a ser a região mais pobre. Não podemos ter uma região andar a duas velocidades, mas sim à mesma velocidade.

Não é uma utopia, querer um país ou uma região andar à mesma velocidade?

É possível. Como o interior está mais atrasado que o litoral, em alguns indicadores, qualquer impulso permite-o crescer muito mais que o litoral. Até porque o interior tem mais oportunidade de convergir mais com as médias nacionais e regionais. 

Vejo a região norte como um todo, com as suas especificidades e com as suas características. 
 

Com a atribuição de mais competências às CCDR’s cresce também a vontade de avançar com uma regionalização “formal”. Qual é a sua opinião?

Tenho uma opinião, mesmo antes de ser candidato. Não vai ouvir nenhuma vez a minha opinião enquanto candidato e presidente da comissão sobre esta matéria. Acho que devo ter recato sobre isto. 

Se me perguntar assim: Em 1999 como votou no referendo da regionalização? Eu votei sim.   

O Álvaro Santos, enquanto homem e não candidato, tem alguma opinião sobre isto?
É melhor não responder. A minha matriz de pensamento em 1999 era defensor da regionalização do país. O país perdeu essa oportunidade e hoje o país não está preparado para isso. O Primeiro-Ministro já o disse e tem vindo a dizer que hoje não há condições para concretizar a regionalização. Respeito essa opinião, tenho de estar enquanto candidato, em alinhamento pleno com o governo, seja de que partido for. O meu princípio de lealdade institucional é muito forte e não me vou desviar nem um milímetro disso. 

Caso seja eleito na segunda-feira, na sua ótica em que a CCDR pode ajudar o concelho de Gondomar?

Em Gondomar sou suspeito, até há pouco tempo trabalhei lá, ajudei o Município a elaborar a Carta Municipal de Habitação. 

Destacaria a questão dos transportes e da habitação como problemas fundamentais. A questão do emprego também se coloca aqui. Quando há diferenças entre o local do trabalho e a habitação, nem sempre são possíveis de conjugar. Os movimentos pendulares dos nove Municípios da Área Metropolitana do Porto têm uma lógica de funcionamento autónoma. 

Que mensagem quer deixar?
Proponho-me com a minha experiência, conhecimento e com a minha capacidade de fazer pontes de diálogo entre a região e fazer ponte entre Lisboa e Bruxelas. Tendo um diálogo exigente para a região e que nos traga bons resultados. Temos um conjunto de oportunidades e de instrumentos que estão a nosso dispor. Termos um cenário que é fundamental para fazermos pontes com os centros de decisão, não podemos ver o Norte como uma ilha. Não é viável. A minha principal diferenciação é a articulação entre todos para que a região Norte possa dar esse salto qualitativo que se exige e que é necessário. Vou depositar nos próximos quatro anos toda a capacidade, experiência e conhecimento, juntamente com a minha equipa, tudo o que é importante para darmos este salto, para levarmos a CCDR-N a bom porto. 

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