Aos 14 anos, André Moreira entrou pela primeira vez numa canoa quase por acaso. Em julho de 2012, durante umas férias, foi desafiado pelo presidente do Clube Naútico de Marecos a experimentar a modalidade. O que começou como uma experiência de verão rapidamente se transformou numa paixão e, mais tarde, num projeto de vida. Hoje, o atleta gondomarense, que conquistou recentemente a medalha de prata nos Jogos do Mediterrâneo, em Taranto, Itália, integra a equipa sénior e ambiciona chegar aos Jogos Olímpicos.
Como começou o seu percurso na canoagem?
Comecei em julho de 2012. Estava em Marecos com os meus pais e o presidente do clube perguntou-nos se queríamos ir experimentar a modalidade. Era verão, fomos experimentar, vimos muitas crianças e acabámos por ficar.
Como chegou à seleção nacional?
Em 2023, na seletiva nacional, consegui um lugar apurável para os Sub-23. É uma prova em que todos podem concorrer. Fiquei em 17.º, ou seja, em 8.º na final B. Nesse ano, como o Europeu era em Portugal, entravam os 18 primeiros. Fiquei no penúltimo lugar. Nesse Europeu fiz K1 500, que é uma prova individual, e fiquei em 5.º na final B, correspondente ao 14.º lugar. Não era o resultado que queria. Fiquei automaticamente apurado para os campeonatos de inverno e foi aí que dei o salto na canoagem. Em 2024 trouxe a minha primeira medalha.
Como foi a experiência de participar nos Jogos do Mediterrâneo, em Taranto, Itália?
Em 2025 já não era Sub-23 e passei para a equipa sénior. Foi um ano em que só tive uma prova internacional. Este ano mantive-me na mesma equipa, que me deu a oportunidade de ir aos Jogos do Mediterrâneo. A experiência foi incrível. Estávamos num navio olímpico, com todas as comitivas. A comitiva portuguesa levou atletas de todos os desportos e foi uma experiência incrível. Na canoagem, o rio não era o melhor. Estamos habituados a rios de água doce e, em Itália, era água salgada.
Se a prova tivesse sido disputada em água doce, acredita que poderia ter chegado ao primeiro lugar?
Acho que não, mas acredito que teria lutado pelo primeiro lugar. Ficámos em segundo, a 1,6 segundos do primeiro lugar. Para a canoagem, é uma diferença considerável. Não estava habituado à água salgada. A pagaia estava sempre a escorregar-me da mão
Quais são os seus objetivos para o futuro?
Pretendo fazer da canoagem vida. Quero ir aos Jogos Olímpicos. O apuramento está a decorrer e é feito por pontos.
Acha que os resultados alcançados e a maior visibilidade que a canoagem tem tido podem incentivar mais jovens a praticar a modalidade?
Espero que sim, mas acho difícil. É um desporto complicado devido às condições climatéricas. Estamos no rio, no inverno, ao frio, e é muito mais complicado do que parece.
Quem gostaria de agradecer neste percurso?
Quero agradecer a todos os meus treinadores: ao Fernando Laranjeira, ao Leonel Correia, treinador dos Sub-23 da seleção, ao Hugo Rocha, treinador do Marecos, e ao Rui Fernandes, que é o meu treinador atual da equipa sénior. Aos meus patrocinadores, Clínica Saúde Convida, Ferpalvil, Grupo Setembro e Zemanel Construção Civil. E, claro, à minha família, porque sem eles, neste momento, não faria isto. São eles que me ajudam em tudo. Aos meus companheiros de equipa, que me fazem evoluir, aos amigos e aos colegas, deixo também o meu agradecimento.