Concelho de Gondomar

António Cunha: “Face à forma como o processo foi conduzido quis dizer à região que estou cá, não quero ter falta de comparência”

Natural de Braga, António Cunha recandidata-se ao cargo de Presidente da da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), com a promessa de dar continuidade a um ciclo marcado pela gestão de fundos comunitários, pela coesão territorial e pelo desenvolvimento sustentável da região.

Após cinco anos na liderança da CCDR-N, o que o motiva a candidatar-se para um segundo mandato?

Motiva-me o conhecimento detalhado e o compromisso com o desenvolvimento da região. Motiva-me igualmente o projeto que temos em curso e os resultados que temos vindo a conseguir, seja na execução do 2020 onde as metas foram todas executadas, ou no 2030 onde fomos o programa regional que superou com maior folga conseguindo uma execução na ordem dos 122%.

Há toda uma dimensão de mérito e resultados conseguidos nos programas regionais, mas também em outros domínios, nomeadamente alguns aspetos macro da região, de onde saliento o avanço nos níveis educacionais.

Temos dois indicadores muito importantes, baixamos quase para metade os índices de insucesso escolar nos níveis básico e secundário, e aumentamos significativamente a percentagem da população com formação superior até aos 34 anos.

Aliás, neste segmento, até aos 34 anos, o Norte que era tradicionalmente uma região com indicadores mais débeis, justificando assim um certo atraso e baixos níveis de produtividade. Hoje somos a região com melhores indicadores educacionais estando mesmo acima da média europeia.

Um outro valor muito interessante das dinâmicas regionais, e que está relacionado com a inovação, é o famoso indicador PIB per capita. Nos últimos 18 anos estávamos sempre no último lugar das regiões, os dados agora conhecidos de 2024 mostram que saímos dessa posição. Isto acontece porque nos últimos anos o nosso PIB per capita tem subido mais do que a média nacional.

Ficamos satisfeitos com estes resultados, mas não está tudo bem, temos ainda um longo caminho a fazer, nomeadamente na geração de riqueza, mas passamos a ter dinâmicas mais interessantes do que aquelas que tínhamos no passado.

Óbvio que isto não é apenas resultado do trabalho da CCDR, mas também da capacidade do nosso tecido económico-produtivo.

Uma das ideias que defendia quando tomou posse há cinco anos era a coesão territorial no Norte. Olhando ao trabalho que foi feito, acredita que houve uma aproximação de realidades entre os 86 concelhos da região?

Sim, houve.

Mais uma vez, não estamos contentes com a situação, mas olhando aos diversos indicadores (PIB per capita, educacionais, sociais, etc), dentro da região, estão mais aproximados do que há cinco anos.

Tem essa noção?

Sim, claramente.

Haverá certamente um indicador que não resiste a esta questão e é a nossa principal preocupação, a questão demográfica.

Esse é o principal problema que temos, assim como outras regiões do país.

A questão demográfica é efetivamente uma preocupação na região, em especial em concelhos mais do interior. De que forma é que a CCDR-N pode ajudar a mitigar esta questão?

Podemos encontrar um conjunto de soluções que possam ajudar a mitigar esta questão, mas no fim do dia só conseguimos fixar e atrair pessoas se houver emprego de qualidade e com remunerações compensatórias.

Sendo um problema multifatorial, a solução mais eficaz é efetivamente o emprego. Por isso a palavra de ordem é sermos capazes de crescer na geração de valor, em toda a região.

Nas zonas mais urbanas e industrializadas este crescimento significa de facto grandes crescimentos nas cadeias de valor internacionais e poder fazer produtos de maior valor acrescentado.

Nas zonas do interior esse crescimento será sempre mais assente no setor primário em ligação com o turismo. Só este binómio poderá resolver essa equação. Para uma vila do Douro é importante ter um hotel que permita que as pessoas lá fiquem, só assim os restaurantes terão movimento, e não precisa ser algo para centenas ou milhares de pessoas, em muitos locais, se estiverem 50 turistas já é muito positivo para a economia local.

Os projetos apoiados pelo PRR devem estar todos concluídos no decorrer deste ano sob pena de ser perdido financiamento, qual é o ponto de situação atual no Norte?

As CCDR têm um papel relativamente reduzido na gestão das verbas do PRR, sempre foi um programa muito centralizados e são poucos os projetos que nos estão atribuídos.

O grande programa que temos é o que está ligado às escolas. Grande parte dele será executado com as cerca de 50 escolas que temos a serem apoiadas.

Se lhe pedir uma taxa de execução, relativamente às escolas, consegue indicar?

Não consigo ser preciso, mas rondará os 70%. Contudo aqui não se levanta esta questão porque o Governo fez um empréstimo BEI que garante financiamento para estas obras, mesmo após o final do PRR, o que estiver em falta será alocado a outros programas existentes.

Com a atribuição de cada vez mais competências às CCDR’s cresce também a vontade de avançar com uma regionalização “formal”. Qual a sua opinião sobre este tema?

Este é um tema que mais cedo ou mais tarde virá para a agenda. É um tema que deve ser feito por etapas. É importante que as estruturas regionais sejam amplificadas e mais capacitadas, que tenham mais competências para ficarem robustecidas e depois se deverá decidir a forma de gestão política.

O cidadão António Cunha tem alguma opinião pessoal sobre isto?

Sou reconhecidamente uma pessoa regionalista. Esta é uma afirmação perigosa de se fazer porque a palavra Regionalização tem hoje significados diferentes para pessoas diferentes.

Não sou regionalista porque acho que devemos ter parlamentos regionais ou que deva haver um poder legislativo regional. O que considero importante é que se avance num quadro de maiores competências e de maior decisão regional.

A decisão regional é melhor, não porque as pessoas aqui são mais inteligentes que as outras, mas porque é uma decisão mais próxima e conhecedora. Uma decisão à distância é descontextualizada e leva a soluções que não se entendem porque não fazem sentido em determinado contexto.

Ao longo dos quatro anos que tem à frente da CCDR-N visitou por várias vezes o concelho de Gondomar. Que projetos estruturantes para este concelho foram apoiados pelos programas geridos pela CCDR-N?

Em Gondomar tivemos um projeto brutal que foi toda a questão das minas de S. Pedro da Cova, foi um dos maiores feitos a Norte.

Começou com a remoção de lixos até ao desenvolvimento do Museu Mineiro e toda a zona envolvente.

Ao contrário das restantes CCDR’s, a CCDR-N terá dois candidatos à presidência. Como analisa esta falta de entendimento na região?

Desde logo é um sinal da vitalidade democrática da região. Deve ser visto como positivo e mostra a vontade de ocupar este lugar.

Acho que é notório o prazer com que desempenho este cargo.

A região percebeu, está muito unida e determinada em dar um sinal que os assuntos que lhe interessam devem ser decididos internamente, e acho que será esse o resultado de dia 12 de janeiro.

Seria uma enorme surpresa não ser o mais votado?

Tenho uma expectativa positiva do que poderá acontecer, mas aguardo com serenidade.

Face à forma como o processo foi conduzido quis dizer à região que estou cá, não quero ter falta de comparência.

Caso vença as eleições no próximo dia 12, o que pode o Norte esperar de si?

O nosso lema é “O Norte à frente” e isso significa aproveitar este momento e a dinâmica que existe na região.

Há um norte urbano e industrial que tem de ser um dos atores principais na reindustrialização europeia. A Europa tem de encontrar autonomia estratégica, não só na defesa como também naquilo que produz. A Europa não pode estar dependente dos outros para aquilo que consome. O Norte é uma das principais regiões industriais da Europa e temos de assumir esse papel.

Temos também de vencer os desafios da baixa densidade demográfica e sermos capazes de encontrar mecanismos, de criar círculos virtuosos de atratividade, de crescimento e de criação de valor, para que haja condições económicas para as pessoas se fixarem, com as condições de vida que procuram alcançar.

O Norte tem um sistema de inovação vibrante, muito forte sobretudo no Grande Porto e no eixo Braga-Guimarães, mas hoje temos Centros de Investigação e laboratórios de referência em Bragança, Chaves ou Vila Real, entre outros.

Isto também deve passar pelo Douro, a região deve ser mais do que simplesmente um território de produção de vinhos de referência, deve ser um território onde se estuda os vinhos. A complexidade que os vinhos do Douro têm, e que é difícil explicar a quem não conhece, tem de ter valor acrescentado, e para isso é importante que as pessoas estudem sobre vinhos no Douro. É um processo longo, mas que deve ser feito. O Douro não deve ser uma região onde se faz excelente vinho, tem de ser uma região onde se aprende e se investiga sobre vinho.

A CCDR-N será, caso seja eleito, um parceiro fundamental para os 86 municípios da região?

Essa é a nossa missão.

Últimas Notícias

Álvaro Santos foi eleito presidente da CCDR-N

12/01/2026

Nuno Sousa substitui Marco Martins na Transportes Metropolitanos do Porto

9/01/2026

Projeto "Voltar a Casa" será levado à Assembleia da República

9/01/2026

Álvaro Santos: “Candidato-me com uma forte convicção e um espírito de missão que o Norte pode e precisa de dar um salto qualitativo a diversos níveis”

8/01/2026

MARCO MARTINS SERÁ DESTITUÍDO DA TMP NA SEXTA-FEIRA

7/01/2026

António Cunha: “Face à forma como o processo foi conduzido quis dizer à região que estou cá, não quero ter falta de comparência”

7/01/2026

CASA COSTA ABRIU EM GONDOMAR

29/12/2025

BP ABRE POSTO DE COMBUSTIVEL NA ESTRADA DOM MIGUEL

29/12/2025