Após doze anos enquanto adjunta de Luís Filipe Araújo, Carla Ferreira assume desde dezembro o cargo de vereadora com os pelouros: Finanças e Contabilidade, Geminações, Feiras, Cultura e Juventude. Fomos conhecer os objetivos para estes quatro anos.
Luís Filipe Araújo assume cargo de presidente e foi o braço direito do mesmo durante doze anos. O facto de assumir agora o cargo de vereadora da Câmara Municipal é fruto do trabalho desempenhado?
Sim, acredito que seja o reconhecimento de doze anos de trabalho. O presidente acreditou em mim. Sabe que não o irei dececionar.
É a primeira vez que assume um cargo desta dimensão, sente uma responsabilidade acrescida?
Sim. É uma responsabilidade acrescida e por vários motivos, primeiro por ter sido adjunta do atual presidente e, também, esta aposta em mim é uma grande responsabilidade. Ninguém quer sair daqui sem sentir que fez um bom trabalho. Espero que o mesmo seja reconhecido. Sinto que tenho provas a dar, nestes cargos temos sempre algo a provar aos demais. No fundo o que realmente importa é a evolução deste concelho e, acho que nisso, estamos todos a trabalhar para o mesmo lado.
A vereadora tem quatro pelouros que estão a seu cargo. Comecemos por falar das finanças e da contabilidade. O Orçamento Municipal fixa-se em 165,8 milhões de euros. O maior de sempre. Como irá ser executado?
Vai ser executado com rigor, quando digo rigor é sabermos aquilo que queremos. Termos coisas estratégicas. A gestão financeira local exige um equilíbrio contínuo entre a sustentabilidade a longo prazo e a necessidade de investir em projetos que tragam benefícios para o território. A evolução do passivo financeiro do Município, desde 2014, tem tido uma trajetória descendente. Através de uma gestão rigorosa do serviço da dívida e da amortização de capital o valor em dívida é de cerca de 32 milhões de euros. Encontramo-nos a negociar o spread dos principais empréstimos de médio/longo prazo, o que permitirá uma poupança significativa ao Município durante o período de vigência dos empréstimos. É fundamental sublinhar que, nos últimos anos, o Município adotou uma política de não expansão do endividamento financeiro, optando pelo autofinanciamento e pela captação de recursos externos não reembolsáveis – fundos comunitários.
Atualmente, o prazo médio de pagamento aos fornecedores é de 60 dias, mesmo considerando os pagamentos avultados com as participações estratégicas em entidades supramunicipais como a STCP, os Transportes Metropolitanos do Porto e a LIPOR. A capacidade de endividamento disponível do Município de Gondomar é superior a 80 milhões de euros. Esta folga financeira reforça a autonomia na gestão e permite reagir quer a situações inesperadas, quer oportunidades de investimento planeado a médio e longo prazo.
A solidez financeira do Município não se avalia apenas pela capacidade de endividamento, mas sobretudo pela forma como aplica os seus recursos. O orçamento atual ronda os 165 milhões de euros e apresenta no primeiro trimestre de 2026 uma execução acima do expectável, o que demonstra capacidade de concretização. Estamos num ciclo forte de investimento apoiado pelo PRR, com dezenas de projetos em curso, sobretudo nas áreas da coesão social e infraestruturas. Destaco ainda a Estratégia Local de Habitação, com vários projetos em desenvolvimento, que procuram garantir o acesso à habitação através de uma gestão sustentável e transparente. Ao longo deste ano, pretendo reforçar os mecanismos de controlo interno, de forma a garantir maior rigor, transparência e eficiência na gestão. Posso afirmar que as contas do Município de Gondomar refletem o equilíbrio entre investimento público e sustentabilidade financeira. Acredito que o foco deve estar numa gestão transparente, com prioridade a projetos que tenham impacto direto na qualidade de vida da população e sustentabilidade a longo prazo.
O que pretende fazer em relação ao pelouro das geminações, sendo que é um pelouro transversal e acarreta até ligações com o desenvolvimento económico?
Temos algumas geminações ativas, que não estão a ser trabalhadas, mas muito em breve serão reativadas. Quanto às que estão a surgir, estamos, ainda, a avaliar situações e ver o que é preciso concretizar para que o Município prospere.
A capela da Nossa Senhora da Aflição, que foi restaurada e reaberta ao público no passado dia 7 de Setembro 2025, teve o apoio, além do Municipio, do Imamat Ismaili (através da Fundação Aga Khan). É esse tipo de parcerias que pretendem estabelecer, que apoiem no desenvolvimento patrimonial?
É uma mais-valia para o concelho, se não houvesse essas parcerias era complicado dar seguimento a algumas obras essenciais para o desenvolvimento patrimonial. Esses mecenas são fundamentais, e neste caso em específico, foi crucial para que a festa se concretizasse. Essa capela é privada, o Município poderia efetivamente querer investir pelo seu valor patrimonial e pelo valor que tem para a população, mas desta forma tornou-se um processo mais rápido e deu a conhecer essa parte do alto concelho a essa comunidade, que ficou bastante agradada.
A gestão das feiras e do seu bom funcionamento também está a seu cargo. Como encontrou este pelouro?
Havia algum descontentamento dos feirantes, por vários motivos. Queremos fazer uma reestruturação das feiras, falamos com as associações de feirantes e em conjunto estamos a planear uma alteração para as mesmas. A curto prazo na Feira de Gondomar irá sofrer algumas alterações, vamos tentar ir ao encontro do que eles reivindicam. Já não havia sorteios há muitos anos e vamos fazê-los novamente. Vamos, também, abrir a novos feirantes e colocar uma roulotte para comer alguma coisa e até mesmo tomar café. De seguida iremos ir reestruturar as outras feiras do concelho.
O licenciamento para se estar presente num mercado ou numa feira municipal como é realizado? O que as pessoas que queiram efetivamente fazer parte deste tipo de comércio podem fazer?
Através dos sorteios podem concorrer e ficar com os lugares. Temos algumas pessoas que manifestaram interesse em concorrer, mas essa participação é pública. O espaço é pago de acordo com o número de metros que ocupe. O valor é o que está definido na tabela de taxas e licenças, contudo isentamos no mês de Janeiro e Fevereiro 50% do mesmo devido às intempéries.
A Cultura e a Juventude é o seu quarto pelouro. O que pretende fazer no que toca a este pelouro?
Além de dar continuidade ao que foi concretizado durante doze anos, quero deixar a minha marca pessoal. Na cultura já há algumas coisas que estamos a fazer. As sessões de cinema que era uma coisa que não existia e, finalmente, começamos a tê-las. Quer na cultura, quer na juventude, vão surgir ao longo deste ano novidades, o cinema no auditório já é o exemplo disso e há sessões para crianças e adultos, uma vez por mês.
Na juventude, no dia 7 de março, o Município promoveu o Conselho Municipal de Juventude de Gondomar, qual é o propósito deste conselho municipal? Inserir os jovens na vida pública?
Sim, é esse propósito. Por norma, os jovens quando se trata de algo tratado por entidades públicas demonstram pouco interesse na participação. Queremos que estes se sintam parte integrante da vida pública. No segundo trimestre do ano está planeada uma Assembleia Municipal Jovem de modo a participarem mais ativamente nas decisões políticas e na discussão em torno da cidade. Cada agrupamento de escolas irá apresentar propostas que irão a votação. Neste momento não temos um orçamento participativo na Juventude, mas as ideias que saiam dessas assembleias podem ser executadas de acordo com o Orçamento Municipal. Isto é crucial para que participem no que é realmente importante: o seu futuro. Quando temos uma reunião de Câmara ou de Assembleia nós decidimos o futuro dos que residem neste concelho com uma série de medidas públicas, e isso interfere, a curto prazo na vida desses jovens. É importante que façam parte da comunidade e sobretudo ativamente.
Nesse mesmo dia foram aprovados o Plano de Atividades e o Orçamento Municipal para 2026, nas áreas relacionadas com os jovens, o que engloba este orçamento? Que áreas serão trabalhadas? Qual é o valor estipulado para o mesmo?
Estamos a reunir com todas as associações de estudantes, para que o nosso plano de atividades não seja estático, mas esteja em permanente construção. O orçamento da juventude foi aprovado aquando da apresentação do Orçamento Municipal. No Conselho Municipal da Juventude apenas demos a conhecer o nosso orçamento.
Quanto ao plano de atividades, apresentamos o que temos planeado para 2026, no entanto, é um documento aberto, ou seja, sujeito a alterações/sugestões sendo, também, construído com os jovens.
A nível cultural, quais são as lacunas em Gondomar? Há espaços suficientes para promover a cultura no concelho?
Encontro algumas, especialmente, em termos de edifícios, a dimensão do concelho é maior, mas os espaços são os mesmos. Precisamos de muito em breve reverter esta situação.
Foi falado, também, em altura de campanha eleitoral, criar um espaço em Rio Tinto, uma espécie de Fórum Cultural, isso está em cima da mesa?
Estamos a planear, queremos avançar com esse projeto neste mandato.
Que incentivos existem para os artistas e associações locais que promovam a cultura gondomarense?
Muito do programa cultural do município é feito pelas associações e grupos locais. O nosso programa de apoio ao movimento associativo é uma forma de “premiar” as associações que têm atividade cultural. Poderei dar como exemplo, o Fetav, o Vai Avante e o Dramático de Rio Tinto entre muitos outros.
Procuramos ter na nossa programação artistas locais, como os 800 Gondomar, a Cremalheira do Apocalipse e o João Não, entre outros, para que a nossa terra seja não só, mas também um palco dos nossos artistas.
A nível de programação cultural. O Festival da Juventude e a Noite Branca, já são uma marca do concelho, irão sofrer alguma alteração?
O Festival da Juventude continuará a ter uma duração de 15 dias. Na Noite Branca teremos um palco novo com as Bandas Filarmónicas do Concelho. A intenção é que a banda filarmónica convide outros artistas gondomarenses para atuarem em conjunto. Vamos ter, ainda, mais surpresas na noite branca, que a seu tempo serão anunciadas.
Além dos pelouros que lhe foram atribuídos há algum que gostasse particularmente de ter?
Nunca sonhei com nenhum pelouro, estou muito feliz com o que me foi atribuído pelo presidente. Sinto que os pelouros foram feitos para mim (sorri).
O que é que o Município pode esperar de si nestes próximos quatro anos?
O Município pode esperar entrega pela causa pública e inovação. Não quero só dar continuidade. Quero criar algo de novo e que isso fique na retina da população gondomarense. Acredito que este Executivo tem força para inovar e trazer uma nova vida a Gondomar. Fazer de Gondomar, O concelho e não mais um concelho da Área Metropolitana do Porto. As pessoas podem esperar de mim e de nós, trabalho em prol de Gondomar.
O presidente poderá sempre contar consigo?
Fui doze anos adjunta do atual presidente de Câmara. Essa é uma pergunta muito fácil, trabalhei diretamente doze anos com ele, conhecemo-nos bem. Independentemente de como as coisas estejam a correr estarei incondicionalmente ao lado dele. Por isso valores como confiança e lealdade são indissociáveis um do outro. Somos uma equipa e trabalhamos todos em prol do mesmo. Acredito que os gondomarenses quando nos elegeram perceberam esse mesmo sentido de união, de confiança e lealdade que temos com o presidente, com a equipa e com eles. Continuem a acreditar em nós, no nosso trabalho, irão ver um Gondomar mais desenvolvido e mais próspero.
Curiosidades:
Livro de Mesinha de Cabeceira: “Elogio da Loucura”
Último filme no cinema: “A Criada”
Prato Preferido: Tripas à Moda do Porto
Local preferido de férias: Palma de Maiorca
País que mais gostou: Itália
Viagem de Sonho: Filipinas
Clube: FC Porto
Objeto que nunca se esquece: relógio