A Escola Secundária de Gondomar está a viver uma nova fase na sua história com a implementação do Centro Tecnológico e Especializado (CTE) na área da Informática. Com um investimento de cerca de 1,3 milhões de euros, o projeto permitiu modernizar os espaços educativos, reforçar a infraestrutura tecnológica dos cursos profissionais e criar oportunidades de aprendizagem para os alunos.
Em funcionamento desde 22 abril de 2025, o CTE foi o primeiro a abrir portas no concelho de Gondomar e representa, segundo a diretora da escola, Lília Silva, um passo decisivo na valorização do ensino profissional. "Este reequipamento permite tornar os cursos profissionais o 'parente rico' da escola, reforçando a sua atratividade e aproximando-nos cada vez mais das necessidades do tecido empresarial do concelho", afirma.
O centro dispõe de sete salas de aula e laboratórios especializados, num total de 167 postos de trabalho, preparados para responder às exigências da formação tecnológica atual. Os alunos têm acesso a equipamentos que permitem desenvolver software, realizar simulações de redes, programar sistemas e criar projetos na área da Inteligência Artificial. O espaço integra ainda um gabinete de investigação e desenvolvimento e uma área informal de aprendizagem, promovendo o trabalho colaborativo e a inovação.
Apesar de estar em funcionamento há cerca de um ano e meio, o CTE continua em constante atualização. A chegada de novos equipamentos, como máquinas CNC, Laser Cutter e kits de robótica permitiu introduzir metodologias de ensino baseadas em projetos e práticas pedagógicas mais inclusivas, aproximando os alunos de contextos reais de trabalho.
Para Lília Silva, a Inteligência Artificial deve ser encarada como uma ferramenta ao serviço da aprendizagem. Mais do que ensinar os alunos a encontrar respostas, considera essencial desenvolver a capacidade de formular as perguntas certas, definir objetivos e selecionar a informação relevante. "A informação está disponível. O importante é ensinar os alunos a construir conhecimento e a utilizarem estas ferramentas de forma crítica e autónoma", sublinha.
A evolução tecnológica representa igualmente um desafio para os docentes, que necessitam de acompanhar permanentemente as mudanças para garantir um ensino atualizado e preparado para responder às exigências do mercado de trabalho.
O impacto do investimento já se faz sentir na procura pelos cursos profissionais da área da Informática. Se no ano letivo de 2024/2025 existia apenas uma turma, no ano seguinte passaram a existir duas e, no próximo ano letivo, a escola abrirá mais duas turmas, e dois novos cursos: Sistemas de Computação e Redes e Desenvolvimento de Software.
Prestes a celebrar 110 anos de existência, a Escola Secundária de Gondomar pretende que o CTE seja muito mais do que um conjunto de laboratórios tecnológicos. O objetivo passa por estender esta dinâmica inovadora a toda a comunidade escolar. "Queremos que toda a escola seja um Centro Tecnológico e Especializado", destaca a diretora, defendendo uma escola pública aberta à comunidade, onde os recursos existentes possam ser colocados ao serviço de todos.
O Laboratório de Inovação e Desenvolvimento de Projetos (LabiNov) foi igualmente reforçado com os novos equipamentos, ampliando a capacidade da escola para desenvolver projetos inovadores e interdisciplinares.
Lília Silva faz ainda questão de reconhecer o trabalho de toda a comunidade educativa que tornou possível esta transformação. Professores e assistentes operacionais trabalharam durante as férias da Páscoa do ano letivo de 2024/2025 para que o centro estivesse totalmente operacional. "Quando os alunos regressaram para o terceiro período encontraram uma escola nova. Sem o empenho de todos, este projeto não teria sido possível", remata.