Símbolo maior da identidade religiosa, histórica e cultural de Valbom, a Igreja Matriz de São Veríssimo enfrenta atualmente a necessidade de uma intervenção profunda de conservação e reabilitação. Para responder a este desafio, a paróquia tem vindo a mobilizar a comunidade, promovendo iniciativas que reforçam o sentido de pertença e responsabilidade coletiva. Em entrevista ao VivaCidade, o pároco João Azinheira partilha o ponto de situação e deixa um apelo claro ao envolvimento de todos.
Que significado tem a Igreja Matriz para Valbom?
A Igreja Matriz é, muito provavelmente, o edifício mais antigo que permanece em Valbom, com origem na segunda metade do século XVIII. Ao longo do tempo, foram escassas as intervenções de conservação, o que reforça hoje a urgência de preservar não só o edifício, mas também o património artístico que nele se encontra.
Em 1973, perante o crescimento da população, o espaço foi ampliado, numa intervenção da autoria do arquiteto Carlos Loureiro. No seu interior encontram-se obras de artistas como Júlio Resende e Zulmiro de Carvalho, que acrescentam valor cultural a este lugar de memória coletiva.
Que necessidades concretas apresenta a Igreja Matriz?
A Igreja Matriz e os edifícios paroquiais necessitam de obras urgentes. No caso da igreja, a intervenção tornou-se prioritária para garantir a segurança e a preservação do espaço. Entre as principais necessidades destacam-se a reparação da estrutura, a renovação da cobertura, atualmente afetada por infiltrações, e a melhoria das drenagens.
Acrescem ainda intervenções ao nível das acessibilidades, do tratamento de humidades nas paredes e da renovação do piso. Está igualmente prevista a modernização da instalação elétrica e dos isolamentos, bem como a reorganização de alguns espaços, de forma a responder melhor às atuais necessidades da vida paroquial.
Como devem ser priorizadas as intervenções?
A definição das prioridades assenta no acompanhamento técnico especializado, envolvendo equipas de arquitetura e engenharia. O objetivo é garantir a segurança do edifício e estabelecer uma sequência de trabalhos que permita uma intervenção integrada e eficaz. Trata-se de um processo exigente, que requer planeamento rigoroso e soluções duradouras.
Qual é o investimento necessário?
Ainda não existe um valor definitivo. A complexidade da intervenção aponta para um investimento significativo, sendo necessário aguardar a conclusão dos estudos técnicos para uma estimativa mais rigorosa.
Em que fase se encontra o processo?
Existe já um relatório técnico, elaborado pela NCREP, que identifica um conjunto de problemas no edifício que deverão ser acompanhados e corrigidos. Estão igualmente em curso novas avaliações, sendo analisada a possibilidade de uma intervenção mais abrangente, que inclua o espaço envolvente da igreja. À comunidade pede-se compreensão, mas também participação ativa neste processo.
Que balanço faz da recente edição do Festival de Tunas?
A quarta edição do Festival de Tunas foi um sucesso, com um balanço claramente positivo. Mais do que uma iniciativa de angariação de fundos, afirma-se como um momento cultural relevante, que fortalece os laços da comunidade e promove a união em torno de um objetivo comum.
Que outras iniciativas estão previstas?
A paróquia continuará a dinamizar diversas ações ao longo do ano, contando com o envolvimento dos vários grupos paroquiais. Para além das habituais bancas após as celebrações eucarísticas, que são também momentos de convívio e partilha entre a comunidade, destaca-se a realização da segunda edição da Noite da Francesinha, no dia 18 de abril, na Escola Secundária de Valbom, a quem a paróquia agradece a cedência do espaço.
Mantém-se também disponível, no cartório paroquial, merchandising cujas receitas revertem para as obras, sendo todos os contributos importantes para este projeto coletivo.
Que mensagem gostaria de partilhar com a comunidade?
Estou em Valbom há cerca de dois anos e meio, na minha primeira missão como padre, e por isso será sempre um lugar especial. Os desafios são grandes, mas os sonhos também.
Sonho uma Igreja que seja espaço de encontro com Deus, connosco próprios e com os outros. Um lugar que reflita uma vivência intensa da fé, assente na fraternidade, na partilha e no espírito comunitário.
Queremos uma Igreja onde todos se sintam bem-vindos e acolhidos e que valorize o dinamismo associativo que marca esta cidade.
Lanço o convite à comunidade para que se una em torno deste projeto, que o sinta como seu. Só assim poderemos preservar a nossa memória, viver com sentido o presente e construir, com esperança, o futuro.