Editorial Opinião

Editorial

Caros leitores,

O conceito de qualidade de vida muito se tem alterado ao longo dos últimos anos. Condições de vida que acharíamos normais há 50 anos, como a inexistência de saneamento, eletricidade, telefone ou água potável, consideramos hoje indignas e não estamos disponíveis para que os nossos mais próximos vivam nessas condições.

Ainda bem.

Os cidadãos sabem que uma grande parte deste desenvolvimento ocorreu apenas e só por causa do reforço do poder local e do Municipalismo. Sabem que não são as eleições legislativas que vão melhorar significativamente a sua qualidade de vida, pois as melhorias que ocorreram até agora, no Portugal para lá de Lisboa, foram motivadas, foram inspiradas, foram desenvolvidas e foram consolidadas pelo poder local.

Não são os deputados nem o governo que melhora a qualidade de vida de todos os dias das pessoas. Estes governantes, quando muito, podem estabelecer e definir as políticas de desenvolvimento e de sustentabilidade que podem ser implementadas ao nível local. Mas não são eles que as promovem nem são eles que as colocam em funcionamento.

Isto explica porque, a apenas 7 semanas de eleições legislativas que vão ser das mais disputadas e interessantes dos últimos anos, parece haver um total alheamento por parte dos cidadãos em relação a essas eleições.

Aliás, os eleitores comuns estão fartos de eleições. Estão fartos de ver posters gigantes com fotos horríveis de candidatos que nada lhes dizem. Estão fartos de ver as terras com estruturas de ferro ferrugento com cartazes de gosto duvidável, muitas vezes já adulterados pelo tempo. E, depois de umas eleições autárquicas bem disputadas e de verem porventura aproveitamentos inimagináveis dos seus votos, estão céticos em relação aos políticos, especialmente aqueles que estão lá para Lisboa e que pouca ou nenhuma ligação têm com a terra.

É por isso especialmente importante que os partidos se saibam focar no essencial, por exemplo na posição que têm sobre a regionalização ou na forma como acham que deve ser reforçado o financiamento dos setores mais afetados pelo COVID 19 e pelas suas consequências.

Aproveito para desejar a todos os leitores umas Festas Felizes.

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