O Centro Tecnológico Especializado (CTE) da Escola Secundária de Rio Tinto foi inaugurado no passado dia 12 de junho, representando um investimento de cerca de um milhão e meio de euros. Dedicado às áreas da eletrónica, automação, robótica e computação, o novo espaço pretende transformar o ensino profissional, aproximando a escola da realidade empresarial e das novas exigências do mercado de trabalho.
Para Fernando Coelho e Álvaro Barbosa, responsáveis pelo projeto, o CTE vai muito além da aquisição de equipamentos modernos. Trata-se de uma mudança de paradigma na forma de ensinar e aprender.
O novo Centro Tecnológico Especializado tem como propósito mudar o paradigma do ensino nesta mesma instituição. Em vez de salas de informática convencionais, o espaço integra diferentes laboratórios, cada um vocacionado para áreas específicas do currículo. "Idealizámos exatamente o espaço que hoje existe. Não queríamos mais salas de informática iguais às restantes. Criámos espaços diferenciados, onde é possível trabalhar competências específicas e abordar diferentes áreas do currículo de uma forma muito mais prática."
Álvaro Barbosa acrescenta que toda a organização do CTE foi desenhada de forma integrada. "Pensámos cuidadosamente no que queríamos para cada espaço. É um projeto com continuidade, centrado na automação, na computação e nas tecnologias que hoje fazem parte da realidade industrial."
O maior desafio não está apenas na tecnologia disponível, mas sobretudo na necessidade de alterar as metodologias de ensino. "O CTE obriga-nos a repensar a forma como ensinamos e como queremos que os alunos adquiram competências. Temos de refletir sobre as metodologias, sobre a aplicação do currículo e sobre a forma como os estudantes aprendem e evoluem. Se não fizermos essa mudança, o CTE fica muito aquém do seu verdadeiro potencial."
A Escola Secundária de Rio Tinto pretende que o Centro Tecnológico Especializado seja também um espaço de partilha com o exterior. A intenção passa por envolver universidades, empresas e outras entidades, permitindo que conheçam os equipamentos, desenvolvam projetos em conjunto e contribuam para enriquecer a formação dos alunos. "Queremos um CTE para nós, mas também aberto ao exterior. Queremos receber empresas e instituições de ensino superior para trabalharem connosco e ajudarem a desenvolver o currículo de uma forma diferente." O acesso aos laboratórios não ficará limitado aos cursos profissionais. "Qualquer área disciplinar da escola poderá utilizar estes equipamentos, incluindo o ensino regular. Nestes laboratórios não existe sequer um posto fixo para o professor. A ideia é que os alunos circulem livremente pelos diferentes
Os novos laboratórios estão equipados com tecnologia que até agora era praticamente inacessível no contexto escolar. Braços robóticos, sistemas de automação industrial, equipamentos de eletrónica e realidade virtual são algumas das ferramentas que passam a integrar o dia a dia dos alunos. "Agora os estudantes conseguem trabalhar temas que anteriormente eram impossíveis de abordar ou que exigiam equipamentos a que simplesmente não tinham acesso. Estamos muito mais próximos da realidade das empresas." A aposta da escola centra-se sobretudo nas áreas da eletrónica e da robótica. "Os departamentos ligados às tecnologias da informação já não vivem apenas da informática. Hoje, eletrónica, automação e robótica são competências fundamentais e queremos posicionar-nos precisamente nessas áreas."
Com esta infraestrutura, a escola espera aumentar a atratividade da sua oferta formativa. "Temos hoje o CTE que idealizámos desde o início. Temos excelentes condições e muito potencial. Queremos que os jovens conheçam este espaço e acreditem que aqui podem adquirir competências relevantes para o seu futuro profissional."
Fernando Coelho considera ainda que este investimento pode representar uma oportunidade para reforçar a cooperação entre as escolas do concelho e a autarquia. "Gostaríamos que a Câmara Municipal olhasse para as escolas que possuem Centros Tecnológicos Especializados como parceiros estratégicos. Seria importante haver um trabalho conjunto na divulgação destes espaços, no apoio técnico e na criação de ligações com o tecido empresarial. Só assim conseguiremos potenciar verdadeiramente aquilo que o CTE representa para a educação em Gondomar."