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Fátima Silva editou livro sobre as raízes de Virgínia Moura

[caption id="attachment_12871" align="alignleft" width="300"]Livro Fátima Silva - novembro 2018 Fátima Silva lançou o seu segundo livro sobre Virgínia Moura / Foto: Pedro Santos Ferreira[/caption]

"Uma vida, um sorriso" é a mais recente obra da escritora Fátima Silva. O novo livro centra-se na infância de Virgínia Moura, conhecida ativista política resistente ao Estado Novo.

A autora Fátima Silva, natural do Porto e residente em Rio Tinto, editou recentemente um novo capítulo sobre a obra e vida de Virgínia Moura. Após ter-se debruçado sobre a militante do Partido Comunista Português em 2015, no livro "Virgínia Moura, rosto voltado para o futuro", a escritora resolveu olhar para a infância de uma mulher inspiradora e escreveu "Uma vida, um sorriso", centrado nas raízes da ativista política resistente ao Estado Novo.

"A Virgínia é para mim uma referência como mulher e lutadora. Devia ser considerada um modelo para qualquer mulher que se preze", começa por dizer Fátima Silva, que ao longo dos três anos que separam os dois livros "pensou muito sobre a infância" da primeira engenheira civil que se formou em Portugal.

A busca pelas raízes de Virgínia Moura levou-a a São Martinho do Conde, Guimarães, onde nasceu a mulher ativista, filha de mãe solteira, um estigma que, embora não lhe tenha condicionado a vida, a ajudou a forjar precocemente o seu caráter revolucionário.

"Antes de chegarem a Rio Tinto, Virgínia e a sua mãe saíram de São Martinho de Conde (Guimarães), passaram por Vila do Conde até chegarem ao Porto, meta desejada por ter Faculdade. Mais tarde fixam-se os três em Rio Tinto. A mãe de Virgínia era professora e tinha, por isso, uma vida nómada, como ainda hoje acontece aos profissionais desta área", revela a autora ao nosso jornal.

De acordo com Fátima Silva, ao longo da sua infância, a menina que viria a opor-se ao Estado Novo "já mostrava sinais de uma forte personalidade". Foi precisamente esse trabalho de busca pelas raízes de Virgínia Moura que a escritora quis concretizar, tendo como suporte o Arquivo Histórico Militar do Porto, registos paroquiais e fontes orais, com especial destaque para o presidente da União das Freguesias de Conde e Gandarela, e o espólio doado por Virgínia e Lobão Vital, seu marido.

"O pai era o Artur Sousa Mascarenhas e a Virgínia sabia disso, apesar de ele nunca ter assumido a parentalidade. Isso marcou-a para sempre, mas isso nunca a fragilizou, antes pelo contrário, fazendo-a lutar pelo reconhecimento da paternidade, que conseguiu", acrescenta Fátima Silva.

Ao Vivacidade, a autora admite que não escreveu "Uma vida, um sorriso" por motivos pessoais, "nem para redimir um passado semelhante ao da Virgínia", mas antes por sentir que "havia uma lacuna na biografia desta mulher, porque nunca ninguém tinha procurado saber mais sobre a sua infância".

Na calha poderá estar agora um novo livro sobre um dos grandes suportes de Virgínia, o marido Lobão Vital, que sempre a apoiou. "É o próximo desafio, contar a história deste grande homem que sempre defendeu a liberdade. Ele deixava que a Virgínia brilhasse, mas completava-a", conclui Fátima Silva.

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