De 25 de setembro a 4 de outubro, Valbom volta a celebrar as Festas de São Veríssimo. A iniciativa pretende recuperar uma tradição da comunidade, aproximar os habitantes da paróquia e dinamizar a freguesia através de um programa que junta religião, cultura, música e convívio.
As festas começaram a ser recuperadas com a chegada do padre João Azinheira à paróquia. Esta celebração procura afirmar a festa do padroeiro como um momento de encontro entre a população, as associações, a autarquia e todos os que visitam a freguesia.
São Veríssimo, juntamente com as suas irmãs Máxima e Júlia, é o padroeiro a quem a igreja de Valbom é dedicada. Para o padre João Azinheira, recuperar esta celebração significa também reforçar a ligação da comunidade à sua história e à sua fé. "Sabemos que o calendário religioso de uma paróquia tem vários pontos importantes e que é marcado pelas festas religiosas que estão no calendário litúrgico. Uma delas, e que quisemos recuperar desde que entrei na paróquia, é a festa dedicada ao padroeiro, a quem esta igreja foi dedicada, São Veríssimo, com as suas irmãs Máxima e Júlia", explica.
O objetivo, acrescenta, é fazer com que a festa ultrapasse a dimensão exclusivamente religiosa e seja assumida por toda a comunidade. "No fundo, o que pretendemos é que esta festa do padroeiro se torne a festa da comunidade e que os que nos visitam se sintam parte da comunidade, festejem connosco e que este santo, cuja vida procuramos que seja inspiração também para nós, homens e mulheres com fé, sejamos conformados à imagem daquilo que é o grande inspirador, Jesus Cristo, e o nosso Deus", afirma.
Na vertente religiosa, o programa inclui a eucaristia solene, a entronização do andor de São Veríssimo na igreja e a tradicional procissão, marcada para 4 de outubro, às 10h00. O cortejo partirá do Centro Paroquial em direção à igreja, terminando com a celebração da eucaristia. As ruas serão decoradas com tapetes de flores, numa tradição que pretende envolver a população e dar maior expressão à celebração.
"Temos tido uma grande adesão no que toca à procissão e tentamos criar algumas melhorias, como o hino com a autoria de Valbom. É um hino que gostamos de cantar em honra de São Veríssimo, para marcar o que já fez parte e que volte a fazer parte da cultura dos valboenses", destaca o sacerdote.
A recuperação das festas nasceu, precisamente, da vontade de devolver à população uma celebração que pudesse ser reconhecida como sua. "O padre é um dos maiores ouvintes das comunidades, passa-nos muita gente todos os dias, e o que notei logo foi a sede desta gente em querer fazer algo que marcasse em Valbom, comparativamente às outras freguesias, e que eles pudessem dizer ‘é nosso’", recorda João Azinheira.
"Apesar de ser uma União de Freguesias, as paróquias não são uma “união de paróquias”. Temos de ser promotores e colaborar com todos os que queiram colaborar connosco, como o movimento associativo e a autarquia, reavivando aquilo que é nosso, que é de Valbom, as Festas de São Veríssimo", salienta.
A coincidência temporal com as Festas do Concelho de Gondomar, em honra de Nossa Senhora do Rosário, foi inicialmente uma preocupação para a organização. Catarina Pereira, da comissão de festas, admite que a possibilidade de uma menor participação chegou a ser ponderada.
"Foi um receio quando o padre João nos fez esta proposta. Foi uma das questões que colocámos e tentamos sempre não coincidir com as tradições de Gondomar. Nós fazemos parte deste concelho e, portanto, também participamos e vamos à festa do concelho", explica.
A experiência do ano anterior levou a organização a alterar o calendário e a prolongar a programação. "O ano passado sentimos esse peso das Festas do Rosário, porque foi o arrancar das festas e, nesse sentido, até a autarquia nos propôs começarmos as festas mais cedo e prolongarmos por uma semana", conta. Por isso, a edição deste ano começa a 25 de setembro e prolonga-se até 4 de outubro, permitindo distribuir as atividades por diferentes dias.
"Desta maneira fizemos com que as pessoas participem na nossa festa nos dias 25, 26 e 27 e, no fim de semana de 3 e 4 de outubro, faremos uma romaria com a vertente religiosa. Não fugindo à data, porque São Veríssimo é a 3 de outubro, é a tradição. Não podemos ter medo e ter este peso em cima", conclui.
A programação pretende este ano ir além da componente religiosa, apostando na música, no associativismo, nas tradições e no convívio. Para Márcia Oliveira a organização encara a segunda edição com entusiasmo, apesar dos recursos limitados. "Foi muito gratificante o ano passado, embora fosse a primeira vez e fosse uma coisa pequena, mas grande. Foi muito gratificante as pessoas virem ter connosco bastante agradadas e pedirem a continuação das festas. É uma sensação que não dá para explicar. Dá muito trabalho, mas sabe bem os agradecimentos finais. Este ano vamos tentar ir mais além", afirma.
O principal destaque musical será a atuação de Quim Barreiros, no dia 26 de setembro. A organização quer, contudo, que a festa não se limite aos grandes nomes do cartaz e pretende dar espaço ao talento e às iniciativas locais. "Fazemos questão de ter as associações a participar nas festas para mostrarem o melhor que se faz em Valbom, como artesanato, tatuadores, entre outos. Estamos a tentar trazer alguma dinâmica", acrescenta.
Entre as novidades está também um concurso destinado a encontrar uma iguaria que possa ficar associada às Festas de São Veríssimo e à identidade de Valbom. O programa inclui ainda atividades durante a tarde, com o objetivo de recuperar algumas tradições e proporcionar momentos de convívio entre diferentes gerações. "Temos algumas atividades durante a tarde para promover e dinamizar a festa, como alguns jogos tradicionais, como recuperar a malha e a sueca, durante a tarde, na zona do arraial, recordando os momentos", refere.
No dia 25 de setembro, as festividades arrancam com a atuação da Banda Neya, dedicada à música de baile. No dia seguinte, Quim Barreiros sobe ao palco. Já no domingo, a programação contará com a Universidade Sénior, as danças Ana Parente e o Rancho Folclórico de Santa Cruz de Jovim. A programação inclui ainda uma aula de zumba noturna e atuações de DJ.
A recuperação das Festas de São Veríssimo conta com o apoio da União de Freguesias de Gondomar (São Cosme), Valbom e Jovim. António Braz, presidente da autarquia, recorda que o apoio à iniciativa surgiu desde o primeiro momento.
"Quando o senhor padre chegou à igreja deu logo a indicação de que gostaria de reativar as festas em honra de São Veríssimo. Logo no primeiro ano demos o nosso apoio e aumentamo-lo quer a nível financeiro, quer a nível de materiais, para que as coisas corram o melhor possível", afirma.
Para o presidente da União de Freguesias, a ligação entre a paróquia e a comunidade de Valbom justifica o apoio à iniciativa. "Temos consciência de que a igreja em Valbom tem tido um papel importante na vida desta terra. Temos, sem dúvida alguma, a melhor conferência vicentina da União de Freguesias. É uma conferência que ajuda muitas pessoas. A paróquia tem uma intervenção enorme no tecido social e educacional. Tínhamos de estar com a paróquia porque é a maior no que toca ao aspeto cultural e social. Foi da paróquia que nasceu uma grande instituição, que é o FIDES, que nasceu através do Centro Paroquial de Valbom. A União de Freguesias só tinha de dizer sim à paróquia para que isto acontecesse", afirma.
Com a aproximação das festas, a organização deixa um convite à população de Valbom e a quem vive fora da freguesia para participar nas celebrações.
"Venham a Valbom. É uma terra muito perto do Porto, cada vez mais com mais gente do Porto. Temos as festas e muito para verem, como os nossos equipamentos culturais, como a Casa Branca de Gramido, a Fundação Júlio de Resende e a Quinta do Além, que é menos conhecida", convida António Braz.
Catarina Pereira reforça o apelo: "Venham visitar-nos. Prometemos animação e sorrisos".
Márcia Oliveira deixa uma garantia: "Apareçam. Não vamos desiludir".
Para o padre João Azinheira, mais do que uma festa, o objetivo é criar um espaço onde todos se sintam acolhidos. "O que as pessoas podem esperar é o que fazemos o ano inteiro e que as pessoas, apesar dos parcos recursos, façam desta a sua casa, sintam-se acolhidas e que possam sentir a festa e viver a sua fé. Acima de tudo, saírem daqui tocadas pelos homens e mulheres que são frágeis como nós, mas que, através das histórias da sua vida, continuamos a perpetuar na história o que para nós dá sentido à nossa vida, que é Deus e a nossa fé. Juntos vamos colocar São Veríssimo no mapa".