Simão Barbosa, gondomarense e atleta do clube Liga Dura, é o jovem promessa na canoagem. Estivemos à conversa com o mesmo para perceber os seus objetivos futuros.
Como surgiu a sua paixão pela canoagem?
A paixão pela canoagem surgiu através do meu irmão, João Barbosa. Ele decidiu experimentar a modalidade e acabei por ir também. O meu irmão é seis anos mais velho e sempre foi uma grande referência. Foi atleta da Liga Dura e já participou em campeonatos do mundo e da Europa, por isso cresci muito inspirado pelo percurso dele.
Fale-nos um pouco sobre si.
Sou natural de Melres, tenho 16 anos e sou atleta da Liga Dura. Neste momento estou a residir em Montemor-o-Velho para conseguir conciliar melhor os treinos e a evolução desportiva. Sou considerado uma jovem promessa, embora ainda não tenha entrado no projeto olímpico, algo que espero conseguir alcançar no futuro.
Quais são os principais objetivos para esta época?
Este ano realizámos vários controlos e verificações de tempos e consegui garantir presença no Campeonato do Mundo de Juniores e Sub-23, que vai decorrer no Canadá entre os dias 1 e 5 de julho. Existe também a possibilidade de participar no Campeonato da Europa de Juniores e Sub-23, na Hungria, o que seria mais uma experiência muito importante para o meu crescimento enquanto atleta.
Recentemente conquistou mais um importante título. Como viveu essa vitória?
No dia 19 de abril conquistei a Taça de Portugal de Canoagem, em Montemor-o-Velho, na categoria C1 – 1000 metros Júnior. Antes disso ainda tive a final dos 500 metros. Sinceramente, acreditava que podia vencer essa prova, mas houve uma falha na estratégia e as emoções acabaram por me sobrecarregar fisicamente. Acabei ultrapassado por outro atleta nos momentos finais e terminei com a medalha de prata. Já nos 1000 metros senti-me muito mais seguro. É uma distância que tenho vindo a trabalhar bastante desde a época passada e entrei na prova com outra confiança. Consegui dominar completamente a corrida e vencer com alguma facilidade, terminando cerca de 15 metros à frente dos restantes atletas.
No ano passado também conquistou resultados importantes. Sente que subir ao pódio começa a tornar-se “normal”?
Claro que é sempre muito bom estar nos lugares do pódio, mas tento manter os pés assentes na terra e continuar a trabalhar todos os dias. Na época passada consegui vencer a prova de C1 Júnior Masculino de 500 metros na Taça de Portugal e, também, conquistar a medalha de prata em C1 500 metros nos Olympic Hopes, na Chéquia. São resultados que me dão confiança e motivação para continuar a evoluir.
Qual é o teu grande sonho dentro da modalidade?
Se a federação continuar a trabalhar comigo e conseguirmos alcançar bons resultados internacionais, acredito que o sonho dos Jogos Olímpicos pode tornar-se realidade. Apesar de ainda ser um projeto recente e muito precoce, sinto que já consigo apresentar níveis competitivos muito superiores ao que normalmente acontece nestas idades, sobretudo nestas distâncias. Acredito que, com 19 anos, ainda poderei ter hipótese de chegar aos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Sei que o apuramento é cada vez mais exigente e que as regras estão mais restritas, mas talvez consiga garantir uma vaga continental no último ano de qualificação.
Gostaria de deixar algum agradecimento?
Quero agradecer ao clube por todo o apoio que me tem dado, seja ao nível do material ou de tudo aquilo de que vou precisando ao longo do percurso.
Agradeço também à minha família, especialmente aos meus pais e ao meu irmão, que sempre estiveram ao meu lado.
Não posso deixar de agradecer aos meus treinadores. Ao meu antigo treinador, Rui António Fernandes, que me acompanhou desde 2022 até à época passada, período em que conquistei medalhas internacionais de prata e bronze.
E ao meu atual treinador, Gilberto da Cruz, que me tem ajudado a superar todos os desafios desta nova fase da minha carreira e deste crescimento enquanto atleta.