A gratuitidade dos transportes públicos na cidade do Porto entrou em vigor a 10 de julho, tornando o município portuense o primeiro da Área Metropolitana a implementar esta medida para os residentes. Em Gondomar, a iniciativa é vista com interesse, mas o presidente da Câmara, Luís Filipe Araújo, considera que a sua aplicação no concelho é financeiramente impossível sem o apoio do Governo.
Segundo o autarca, uma medida semelhante teria um impacto muito significativo nas contas municipais. "No Porto, esta decisão representa um custo de cerca de 20 milhões de euros. Em Gondomar custaria aproximadamente 15 milhões de euros e, infelizmente, não temos capacidade financeira para suportar esse valor", afirma.
Apesar das limitações orçamentais, Luís Filipe Araújo garante que o município partilha o objetivo de incentivar a utilização do transporte público e que a resposta deve ser pensada à escala metropolitana e não apenas por cada município de forma isolada.
"Falei com o presidente dos Transportes Metropolitanos do Porto e transmiti-lhe que esta deveria ser uma medida pensada para toda a Área Metropolitana. É uma questão que tem de chegar ao Governo, porque sem a intervenção do Estado não será possível garantir transportes públicos gratuitos", sustenta.
Luís Filipe Araújo manifesta ainda reservas quanto ao impacto da gratuitidade dos transportes na redução do congestionamento do trânsito na cidade do Porto. Na sua perspetiva, os maiores problemas de trânsito não são provocados pelos residentes portuenses que já utilizam os transportes públicos, mas sim pelos milhares de pessoas que diariamente entram e saem da cidade para trabalhar. "São sobretudo os movimentos pendulares dos concelhos limítrofes que necessitam de respostas. Essas pessoas é que precisam de ajuda para optar pelo transporte público", refere.
O presidente da Câmara defende, por isso, que a prioridade deve passar pelo reforço da oferta de mobilidade, com mais investimento na expansão da rede do Metro do Porto e na melhoria das ligações rodoviárias, considerando que essas medidas terão um impacto mais significativo na redução do tráfego do que a gratuitidade dos transportes, por si só.