Informação Política

“Há um novo futuro para os meios de comunicação locais”

[caption id="attachment_2021" align="alignleft" width="207"]Pedro Lomba Pedro Lomba, Secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional[/caption]

Por altura da sua centésima edição, o Vivacidade entrevistou uma das forças máximas responsáveis pela Comunicação Social no Governo Português para saber o que pensa o Estado sobre estes órgãos de comunicação. O Secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Pedro Lomba, admite que podemos estar perante um “novo futuro para os meios de comunicação locais”.

O jornal Vivacidade cumpre este mês a sua centésima edição. A publicação mensal tem pautado o seu percurso com notícias mensais de cultura, desporto, política e sociedade, além de manter uma opinião livre feita por colaboradores locais e nacionais. Que importância atribuí a um jornal como o Vivacidade? A força da imprensa vive do pluralismo e da vivacidade local e regional. É, por exemplo, significativo que o Vivacidade tenha uma tiragem superior à de alguns órgãos nacionais [10 mil exemplares]. E é também significativa toda esta longevidade, sem dúvida uma marca da nossa imprensa local mais forte e resistente.

No panorama nacional, atingir a centésima edição é significativo no mercado dos media? Significa deter já um estatuto de instituição de referência. Não por acaso, nós queremos promover o mais possível iniciativas de valorização cultural da nossa imprensa mais antiga.

Tendo em conta que os media nacionais atravessam uma fase menos boa, o futuro passa pelos meios de comunicação locais? A diminuição da cobertura em órgãos nacionais de conteúdos locais parece-me o aspeto mais significativo. Diria por isso que há um novo futuro para os meios de comunicação locais que forem capazes de produzir conteúdos com inovação e interesse.

Na sua opinião, quais as vantagens e desvantagens de um jornal local? A grande vantagem é a da proximidade e da cobertura de conteúdos que mais nenhum órgão consegue produzir. As desvantagens estão sem dúvidas ligadas à escala mais reduzida desta imprensa.

Acredita que os jornais locais têm uma elevada dependência dos municípios? Aqueles em que essa dependência existe, sabem que para merecerem a confiança do público precisam de reforçar as suas garantias económicas e editoriais de autonomia. Penso que é um caminho que acontecerá naturalmente.

O jornal Vivacidade é uma publicação gratuita e subsiste apenas com o volume publicitário alcançado mensalmente. O consumo noticioso passará pelas publicações gratuitas impressas e online ou pelos conteúdos pagos? Os estudos já apontam para uma subida acelerada das receitas geradas no online. Temos ainda muitas incertezas à nossa frente sobre o modelo de negócio que irá vingar na era digital. Mas os passos que estão a ser dados apontam para o reforço do marketing e publicidade digital.

Ao nível local, o Facebook assume-se também, cada vez mais, como uma ferramenta de divulgação na imprensa. O Vivacidade atingiu recentemente os 3000 seguidores. A imprensa deve adaptar-se cada vez mais às novas tendências tecnológicas e informativas? Absolutamente. E o novo regime de incentivos à imprensa que estamos a criar visa incentivar cada vez mais a adaptação às novas tendências tecnológicas e informativas.

Em que medida o Governo pretende estimular a imprensa local? O Governo irá aprovar um novo modelo de incentivo à imprensa local que terá os seguintes eixos prioritários: formação, empregabilidade qualificação de jornalistas e profissionais dos media; desenvolvimento de parcerias tecnológicas e comerciais; desenvolvimento digital dos media, reconversão tecnológica das rádios; incentivo ao jornalismo independente; fomento da literacia mediática e digital; promoção da leitura nas escolas; gestão dos incentivos num contexto efetivamente regional [através da participação das CCDR’s].

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