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Inês Oliveira: “Quero chegar a uma final A no Campeonato do Mundo e lutar pelo apuramento olímpico

Aos 27 anos, Inês Oliveira já conta com quase duas décadas dedicadas ao remo. Começou aos oito anos, inicialmente como uma atividade entre amigos, mas rapidamente descobriu uma paixão que a levou à seleção nacional e, mais recentemente, à conquista da medalha de bronze nos Jogos do Mediterrâneo. Entre mais de 20 horas de treino semanal e uma rotina exigente, a atleta continua a sonhar com novos objetivos internacionais e com a presença nos Jogos Olímpicos.

Como começou o seu percurso no remo?
Comecei a praticar remo com apenas oito anos. Fui experimentar com os meus colegas da escola e acabámos por ficar. No início, era mais como uma brincadeira depois da escola com os amigos.

Quando percebeu que queria dedicar-se verdadeiramente ao remo?
Conciliava o remo e a natação até aos 14 anos. Depois, acabei por escolher dedicar-me inteiramente ao remo. Acho que escolhi o remo pelo contacto com a natureza, pela liberdade no rio e também pelo espírito competitivo, que desde miúda sempre existiu em mim.

Como consegue conciliar o remo com a vida profissional?
É difícil fazer mais de 20 horas de treino por semana. Treino de madrugada antes de ir para o trabalho, ao final da tarde quando chego e há dias em que tenho três treinos, por isso até à hora de almoço é ocupada a treinar. Basicamente, abro e fecho o meu clube todos os dias (risos). É preciso ter uma gestão de tempo muito bem definida, as prioridades bem alinhadas e estar rodeada de pessoas que apoiem este estilo de vida.

Como chegou à seleção nacional?
Desde os oito anos que sempre fui muito competitiva e gostei muito de praticar desporto. Nos escalões inferiores, como benjamim, infantil, iniciada e juvenil, sempre me destaquei e fui campeã nacional. Quando cheguei a júnior, aos 15 anos, senti que queria treinar mais e, por consequência, fiz os testes para a seleção. Desde aí que integro a seleção nacional.

Como foi a experiência de participar nos Jogos do Mediterrâneo?
Foi uma experiência única. Acho que o facto de ter sido uma experiência muito próxima à dos Jogos Olímpicos, sobretudo pela organização, tornou tudo mais especial e diferente de qualquer participação internacional que tenha feito pela seleção nacional, por exemplo, num Campeonato do Mundo. Ali estávamos todas as comitivas juntas, de todos os países e de todos os desportos, numa única vila olímpica. Respirava-se desporto durante aquelas semanas.

Qual foi a principal dificuldade que encontrou durante a competição?
A principal dificuldade foi ambientar-me ao calor. Fiz as provas com temperaturas a rondar os 39 graus, por isso foi um desafio bastante grande.

A subida ao pódio era um dos objetivos para esta competição?
Sim, subir ao pódio era um objetivo. Durante a minha preparação, imaginei muitas vezes conseguir alcançá-lo, por isso foi muito especial conseguir concretizar esse objetivo.

Quantas vezes treina por semana?
Treino 14 vezes por semana, mais de 20 horas no total.

Quais são os seus objetivos para o futuro?
Quero chegar a uma final A, ou seja, estar entre as seis primeiras, num Campeonato do Mundo e conseguir chegar ao apuramento para os Jogos Olímpicos.

Acha que os resultados que o remo português tem conseguido podem incentivar mais jovens a praticar a modalidade?
Estes últimos dois anos têm sido muito positivos e os resultados do remo português a nível internacional têm aparecido. Espero que isso seja uma alavanca para os mais jovens, que se sintam mais motivados a praticar a modalidade e olhem para estes resultados como um exemplo a seguir. Acima de tudo, espero que acreditem que é algo alcançável com muita resiliência e dedicação.

Tem algum apoio financeiro para a prática da modalidade?
Sou apoiada pela Câmara Municipal do Porto, através do Programa de Patrocínio a Atletas de Alto Rendimento e Elevado Potencial Desportivo.

Sente-se reconhecida pelo concelho gondomarense?
Sinto que deveria ser mais reconhecida, sim.

Depois de quase 20 anos ligados ao remo, quem gostaria de agradecer?
Estes quase 20 anos no remo não seriam possíveis sem um conjunto de pessoas que se cruzaram comigo e me apoiaram ao longo deste percurso. Quero agradecer à minha família, que sempre esteve lá para mim, tanto nos momentos altos como nos momentos baixos, ao meu treinador, aos meus amigos, aos meus colegas de equipa e ao meu clube, pelas condições que me dá para ser uma melhor atleta.

 

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