Política

José Fernando Moreira candidata-se à liderança do PS Gondomar para unir o partido e reforçar a ligação à comunidade

Militante socialista há mais de três décadas, José Fernando Moreira é candidato à presidência da Concelhia do PS Gondomar. Com um discurso centrado na união interna, na captação de novos militantes e na aproximação do partido aos cidadãos, defende uma nova dinâmica para os socialistas gondomarenses e assume como objetivo recuperar as juntas de freguesia perdidas para o PSD e fortalecer o papel do PS no concelho.

Porque decidiu candidatar-se à presidência da Concelhia do PS Gondomar?
Em primeiro lugar, porque me senti responsável ao olhar para o estado atual do Partido Socialista. Sou militante desde 1995 e acumulo mais de três décadas de experiência em vários órgãos do partido. Fui secretário-coordenador de São Pedro da Cova e de Fânzeres durante muitos anos, integrei a Comissão Política Concelhia e vários secretariados da concelhia. Ao longo dos últimos meses fui conversando com muitos camaradas que partilharam comigo este percurso de 31 anos no PS. Depois de uma conversa muito séria com uma pessoa por quem tenho grande estima, o presidente da Câmara Municipal de Gondomar, Luís Filipe Araújo, encontrámos um ponto de partida comum. Disponibilizei-me para ajudar a promover uma nova reestruturação do partido, quer ao nível do funcionamento interno, quer na captação de novos jovens militantes.

Sendo uma candidatura única, considera que é uma candidatura consensual?
Sim, é uma candidatura consensual. Sou uma pessoa de diálogo e conheço bem o partido. Estou convencido de que, se eu não fosse candidato à concelhia, existiriam mais candidaturas. O consenso alcançado resulta precisamente da capacidade de diálogo e de construção de pontes.

Qual considera ser a principal missão da Concelhia nos próximos anos?
A principal missão é a unificação do Partido Socialista. Temos cerca de 1.200 militantes no concelho e muitos deles têm já uma idade avançada. Daí o slogan da minha candidatura: “Honrar o passado e construir o futuro”.

Honrar o passado significa respeitar todos aqueles que, ao longo dos anos, deram o melhor de si ao partido, tanto a nível local como nacional. Houve militantes que nunca abandonaram o PS, independentemente das circunstâncias ou das especificidades de cada freguesia. É por respeito a essas pessoas que o partido tem de estar unido.

Pretende recuperar as duas juntas de freguesia que o PS perdeu para o PSD?
Sim, esse é um dos objetivos deste projeto. O mandato é de dois anos, mas estou disponível para cumprir dois mais dois. Tudo aquilo que estamos a construir não é apenas para os próximos dois anos, mas para um projeto mais duradouro. Nesse modelo está incluída a recuperação dessas duas juntas de freguesia, algo que só será possível através de uma profunda reestruturação do PS.

Que mudanças pretende introduzir no funcionamento interno do partido no concelho?
Esta não é uma candidatura pessoal, é uma candidatura nossa. Contamos com os secretários-coordenadores e com as suas competências. Queremos um partido respeitado a nível distrital e nacional, mas sobretudo mais próximo das pessoas.

Uma das propostas passa pela criação de um espaço físico único para o PS Gondomar, onde possam ser debatidos temas fundamentais para a comunidade, como habitação, mobilidade, desporto, ambiente, economia e qualidade de vida.

A Comissão Política tem um número limitado de elementos, mas não podemos restringir a participação apenas a esses membros. Queremos abrir o partido à comunidade, promover mesas-redondas e debates livres, onde qualquer cidadão possa apresentar ideias e preocupações. O objetivo é construir um projeto sólido para Gondomar com base na participação das pessoas.

O PS Gondomar viveu recentemente momentos de divergência interna. Falando concretamente de Carlos Brás e Marco Martins, conta com estes dois elementos
Conto com todos aqueles que queiram integrar este nosso projeto, ou seja que venham para acrescentar, no entanto devo dizer que não irei tolerar aquele(as) que sejam desleais para com o partido. O partido vai a eleições no próximo dia 20 para os órgãos locais e para a Comissão Política Concelhia.

O nosso lema é honrar o passado e construir o futuro com quem está disponível para trabalhar pelo PS. As portas estarão abertas para todos. Nesta fase, serão os secretários-coordenadores a indicar os nomes para a concelhia e respeitarei integralmente essas escolhas. A única indicação que fiz foi a escolha de Luís Filipe Araújo para candidato à presidência da Mesa da Concelhia.

Tenho promovido várias reuniões com militantes precisamente para ouvir opiniões. Quero contar com todos, mas como referi não pode haver espaço para deslealdades. 

Considera que a diversidade de opiniões dentro do PS é uma força ou pode criar atritos?
Cresci numa família onde as decisões eram discutidas. Nem sempre existia consenso, mas, uma vez tomada a decisão, terá de ser respeitada. No Partido Socialista deve ser igual. Quanto mais diversidade de opiniões existir, mais fácil será encontrar soluções. O debate é uma força e não uma fraqueza.

Quais são hoje os principais problemas do concelho de Gondomar?
Não quero que o PS seja uma extensão da Câmara Municipal. Sempre defendi que os presidentes de Câmara não devem acumular funções como presidentes da concelhia, precisamente para evitar essa mistura.

Relativamente aos desafios do concelho, um dos mais importantes é a criação de um ou dois parques industriais. Gondomar não pode continuar excessivamente dependente das transferências do Estado central, do IMI e do IRS. Precisamos de atrair empresas e investimento para aumentar a autonomia financeira do município.

Outra prioridade é a mobilidade. Gondomar vai beneficiar da expansão do metro, mas continua a existir um problema de mobilidade interna. Muitos transportes servem sobretudo a ligação ao Porto e é necessário criar soluções que permitam às pessoas deslocarem-se com facilidade dentro do próprio concelho, especialmente à população mais envelhecida.

Atualmente o PS Gondomar tem cerca de 1.200 militantes. Que número gostaria de atingir no final do mandato?
Sei que é uma meta ambiciosa, mas acredito que é possível atingir os 3.000 militantes.

Não será uma utopia?
Não acredito que seja. Sinto que existe vontade das pessoas. Nas sessões que realizámos tivemos salas cheias. Muitos questionam porque existe apenas uma candidatura. A resposta é simples: dialoguei com as pessoas.

Existiam duas ou três pessoas com condições para serem candidatas à concelhia. São pessoas competentes e credíveis, com projetos muito semelhantes ao meu. Muitas delas integrarão a minha lista.

É importante também dizer que não tenho qualquer ambição de ser candidato à Câmara Municipal de Gondomar. Estou convencido de que o candidato em 2029 será Luís Filipe Araújo. Essa foi uma das premissas que me levou a avançar e é também a perceção que recolho junto de muitos militantes. A não ser que aconteça um terramoto (risos).

Que mensagem deixa aos militantes do Partido Socialista?
Quero dizer-lhes que vamos construir um projeto onde todos terão espaço. Mesmo aqueles que não integrem os órgãos do partido serão chamados a participar e a trabalhar.

Muitas pessoas afastam-se da política porque sentem que os partidos discutem tudo menos aquilo que realmente interessa aos cidadãos. Queremos inverter essa perceção, promovendo debates sobre temas que preocupam os gondomarenses e os portugueses.

Pretendemos criar espaços de encontro e reflexão, envolvendo também as famílias. Temos muitas ideias para o futuro de Gondomar e queremos que todos façam parte desse caminho.

O “nós” sempre em detrimento do “eu”?
Sem dúvida. O Partido Socialista sofreu muito com excessos de personalização. Quando as ideias coletivas desaparecem e prevalecem os projetos individuais, o partido perde força.

É isso que quer mudar?
Sim. Quero que o PS seja uma grande alavanca dos projetos apresentados pelos seus candidatos. Um partido forte, próximo das pessoas e capaz de responder aos seus problemas facilita o trabalho de todos e fortalece a democracia local.

 

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