Julieta Rosmaninho tomou posse como diretora do Agrupamento de Escolas à Beira Douro a 18 de junho de 2025. Um ano depois, faz um balanço positivo de uma função que considera desafiante, mas profundamente enriquecedora. Estivemos à conversa com a diretora para conhecer projetos do agrupamento, os desafios da escola e do ensino, e a importância das competências.
Quem é Julieta Rosmaninho?
Sou professora de Física e Química e estou ligada à Escola à Beira Douro há cerca de 20 anos. Sempre lecionei e acompanhei muitos alunos ao longo do seu percurso escolar, alguns deles desde o 7.º até ao 12.º ano. Gosto muito de ensinar e sinto uma enorme ligação à sala de aula.
Assumir a direção do agrupamento foi um desafio que aceitei com grande sentido de responsabilidade, mas confesso que sinto falta do contacto diário com os alunos. Quando pensei em candidatar-me à direção, a minha intenção era até manter uma turma, mas rapidamente percebi que seria muito difícil conciliar as duas funções.
Apesar disso, continuo a ter como principal preocupação os alunos e o seu bem-estar. O nosso foco é garantir que encontram aqui um ambiente positivo, seguro e propício à aprendizagem, sem esquecer os professores, os assistentes operacionais e as famílias, que desempenham igualmente um papel fundamental na vida da escola.
Como tem sido este primeiro ano de mandato?
Tem sido simultaneamente desafiante e muito enriquecedor. Liderar um agrupamento desta dimensão implica uma enorme responsabilidade e uma disponibilidade permanente. Todos os dias surgem questões pedagógicas, administrativas, humanas e emocionais que exigem atenção e capacidade de resposta. No entanto, é um trabalho muito gratificante porque todas as decisões têm como objetivo melhorar a experiência educativa dos nossos alunos. O lema do agrupamento: “Aprender a ser o máximo de si mesmo”, orienta, também, a minha forma de liderar. Procuro crescer nesta função e contribuir para uma escola cada vez mais humana, inclusiva e preparada para o futuro.
Pretende dar continuidade aos projetos existentes ou avançar com novas iniciativas?
Pretendemos consolidar os projetos que já existem e que têm tido resultados muito positivos. Temos o Clube Ciência Viva, o Clube de Robótica, o Projeto Ubuntu, o grupo de teatro Nó Cego e diversas iniciativas ligadas ao Desporto Escolar. Este ano iniciámos a Bússola Emocional, um projeto que considero particularmente importante. Muitas vezes observamos alunos com elevados níveis de ansiedade e stress, sobretudo em períodos de avaliação. Através deste projeto, são trabalhadas estratégias de gestão emocional, técnicas de respiração e outras ferramentas que ajudam os alunos a lidar melhor com as suas emoções.
A adesão tem sido muito positiva e os próprios alunos reconhecem a utilidade destas aprendizagens.
A área cultural tem assumido um papel relevante no agrupamento?
Sem dúvida. Defendo uma escola que vá além da dimensão exclusivamente académica. A cultura, as artes e a criatividade são fundamentais para o desenvolvimento integral dos alunos.
O grupo de teatro Nó Cego é um excelente exemplo disso. As peças apresentadas no Auditório de Melres e no Auditório Municipal de Gondomar surpreenderam muitas pessoas pela sua qualidade. Além disso, decidimos reforçar o ensino artístico no primeiro ciclo através da contratação de um professor de música, permitindo que mais alunos tenham contacto com esta área. As artes continuam muitas vezes a ser o “parente pobre” da educação, mas acreditamos que são essenciais para desenvolver a criatividade, a comunicação, a confiança e a expressão emocional.
O agrupamento tem registado um aumento do número de alunos. Como encara esta realidade?
É um sinal muito positivo. Temos recebido alunos de várias zonas, incluindo Penafiel, Rio Mau, Crestuma e Lever. Quero acreditar que escolhem a nossa escola pelas condições que oferecemos, pelos projetos que desenvolvemos e pelo ambiente que aqui encontram. Contudo, este crescimento traz desafios. Este ano já tivemos de adaptar alguns espaços para responder às necessidades existentes e, para o próximo ano letivo, teremos de trabalhar em articulação com a Câmara Municipal, porque a capacidade das instalações está praticamente esgotada.
Quais são as principais necessidades da escola ao nível das infraestruturas?
O edifício necessita de uma intervenção significativa. Com a introdução do ensino secundário, fomos adaptando espaços e criando laboratórios praticamente de raiz para responder às exigências das disciplinas científicas. Temos feito um enorme esforço para melhorar as condições, mas é importante que exista um investimento mais profundo na modernização das instalações.
Quais são os objetivos que pretende concretizar durante este mandato?
Gostaria de consolidar uma escola cada vez mais humana, próxima e participativa. Queremos continuar a trabalhar as competências emocionais dos alunos, promovendo valores como a empatia, a resiliência, o respeito e a cidadania. Pretendemos, também, reforçar a ligação entre a educação e a cultura, valorizar ainda mais as artes e continuar a apostar no desporto e na inovação pedagógica. Mais do que formar bons alunos, queremos formar boas pessoas, cidadãos conscientes, críticos e preparados para os desafios da sociedade.
Como envolvem a comunidade educativa nos projetos da escola?
Temos a felicidade de contar com uma associação de pais muito participativa e empenhada. Os pais não vêm à escola apenas quando existem problemas. Participam nas atividades, colaboram nos projetos e acompanham a vida escolar dos seus filhos. Estamos a preparar uma iniciativa denominada “Anuária à Beira Douro”, uma exposição que reunirá trabalhos representativos de cada ano de escolaridade e das diferentes disciplinas. Queremos criar uma memória coletiva do trabalho desenvolvido ao longo do ano letivo e dar visibilidade ao talento dos nossos alunos.
A inteligência artificial é uma preocupação no contexto educativo?
É uma realidade incontornável. Os alunos utilizam inteligência artificial e não faz sentido ignorar esse facto ou tentar proibi-la. O que precisamos é de os ensinar a utilizar esta ferramenta de forma crítica, ética e responsável. Algumas tarefas terão necessariamente de ser mais supervisionadas e realizadas em contexto de sala de aula, mas a inteligência artificial pode ser uma aliada importante na aprendizagem. Já estamos a trabalhar essa dimensão com os alunos. É fundamental que compreendam como utilizar estas ferramentas, mas também que saibam validar a informação e demonstrem que dominam os conteúdos que apresentam.
Com a aproximação dos exames nacionais, que apoio é dado aos alunos?
Os alunos dos 11.º e 12.º anos dispõem de apoio específico para preparação dos exames nacionais desde o início do ano letivo. Temos uma equipa de professores extremamente dedicada que acompanha os estudantes e procura responder às suas necessidades. Tenho uma enorme confiança na nossa comunidade educativa e no trabalho desenvolvido pelos docentes. São profissionais muito empenhados e comprometidos com o sucesso dos alunos.
Que marca gostaria de deixar enquanto diretora?
Gostaria que o agrupamento fosse reconhecido como uma escola próxima, humana e inclusiva. Uma escola onde cada aluno se sinta valorizado, ouvido e apoiado, independentemente das suas dificuldades ou talentos.
Pretendo reforçar a colaboração entre todos os elementos da comunidade educativa, professores, assistentes operacionais, técnicos, famílias e alunos, porque acredito que a escola só cresce verdadeiramente quando cresce em conjunto. Espero que a minha liderança seja recordada pela disponibilidade, pelo equilíbrio e pelo compromisso permanente com aquilo que é verdadeiramente essencial: os alunos e o seu futuro.
Para terminar, qual é o lema que orienta o Agrupamento de Escolas à Beira Douro?“O que nós queremos? Que cada aluno que passe pelo nosso agrupamento saia daqui mais preparado, mais confiante e mais capaz de aprender a ser o máximo de si mesmo.”