Desporto Rio Tinto

Juventus da Triana aposta no futebol de 11 para “fazer renascer o clube”

O Juventus da Triana prepara uma nova etapa na sua história com a criação de uma equipa sénior de futebol de 11. O clube, que já conta com futsal sénior e sub-15 feminino, quer reforçar a formação, conquistar novos atletas e revitalizar a coletividade. Em entrevista, Vítor Azevedo, presidente da Assembleia-Geral, Sérgio Soares, presidente da direção, e Hugo Martins, diretor desportivo, explicam os objetivos para esta nova fase.

Como começou a ligação de cada um de vocês ao Juventus da Triana?
Vítor Azevedo: Estou ligado à coletividade desde os 14 anos. Tenho 61, por isso são muitos anos ligados ao clube. Inicialmente não era dirigente, mas aos 19 anos passei a ocupar esse cargo. Ao longo dos anos fui desempenhando diferentes funções. Tive uma interrupção de cerca de um ou dois anos devido a um problema de saúde. Entretanto, quando foi inaugurada a sede, e sendo eu presidente da Assembleia-Geral, formei uma direção. Acabei por sair porque fui morar para Águas Santas, mas mais tarde fui convidado a regressar como presidente da Assembleia-Geral. Desde 2008 até hoje continuo a desempenhar essa função.

Sérgio Soares: Entrei no clube em 2014 como diretor desportivo, mas, entretanto, tive de sair por motivos profissionais. No ano passado, em julho, tomei posse como presidente da direção, depois de ter sido convidado por alguns sócios antigos. Aceitei o desafio e cá estou para colocar o clube novamente em marcha.

Hugo Martins: Estou no clube há cerca de meio ano. Entrei depois de conversar com o presidente sobre a possibilidade de formar a equipa de futebol de 11.

Que modalidades tem atualmente o Juventus da Triana?
H.M: Temos futsal sénior, uma equipa de sub-15 feminina e, este ano, vamos iniciar o futebol de 11 masculino sénior. Portanto, neste momento, contamos com três equipas.

A criação da equipa de futebol de 11 representa uma mudança importante. Quais são os objetivos para esta primeira época?
H.M: É a primeira vez que temos futebol de 11 e, por isso, não estabelecemos como objetivo a subida de divisão. Temos primeiro de estabilizar a equipa e queremos, idealmente, terminar entre os primeiros dez lugares. Neste momento, o futebol de 11 será apenas no escalão sénior, mas queremos começar também a criar formação. É esse o caminho que pretendemos seguir.

Onde estão a decorrer os treinos da nova equipa?
H.M: Estamos a treinar no campo do Clube Atlético de Rio Tinto enquanto aguardamos que a Câmara Municipal nos disponibilize um campo.
S.S: A Câmara dispõe atualmente de um campo municipal em Valbom. Já tivemos conversas nesse sentido, mas, neste momento, estamos a suportar do nosso próprio orçamento o pagamento do espaço no Atlético de Rio Tinto para que os nossos atletas possam treinar. Estamos a aguardar uma decisão da Câmara, porque precisamos de um campo essencialmente para os treinos. Para os jogos, a Associação de Futebol do Porto disponibiliza os campos.

 

O objetivo passa, no futuro, por ter um espaço próprio de treino?
S.S: É difícil, mas queremos fazer renascer o clube. Queremos que a Juventus da Triana volte a aparecer com força e tenha cada vez mais atividade. Ao mesmo tempo, sabemos que existem cada vez menos apoios e que as dificuldades são muitas. Por isso, estamos a tentar criar condições para que o clube possa crescer de forma sustentada.

A formação é uma das apostas para esse crescimento?
S.S: Sem dúvida. A ideia é sempre apostar na formação, porque é uma das bases de sustentabilidade de um clube. Os séniores, quer queiramos quer não, acabam por dar sempre algum prejuízo, por muito reduzido que seja. A formação permite ajudar a sustentar o clube através das mensalidades dos atletas. Queremos também trazer outras modalidades para o Juventus da Triana. Temos, por exemplo, a possibilidade de desenvolver o bilhar, mas, para termos uma equipa, precisamos de dois bilhares de snooker e, neste momento, temos apenas um. A formação pode entrar já numa próxima fase, porque é uma forma de revitalizar o clube e aproximar novas famílias e atletas da coletividade.

Como é que o Juventus da Triana consegue atualmente assegurar a sua atividade?
S.S:
 Temos um café que está a ser explorado e contamos também com os patrocínios. Vamos falando com as pessoas e procurando apoios. Depende muito do trabalho que fazemos diariamente. Neste momento, depois do que aconteceu na festa de São Bento, temos sentido também uma onda de solidariedade e há pessoas que querem ajudar o clube.
V.A: Fizemos recentemente uma revisão dos sócios. Tínhamos mais de 500, mas apenas cerca de 160 tinham as quotas pagas.

Qual é o valor das quotas?
V.A: É um euro por mês, ou seja, 12 euros por ano. Para os reformados são seis euros anuais.

S.S: Gostávamos que a Câmara Municipal nos ajudasse e apoiasse nesta nova fase. Estamos a tentar fazer crescer o clube e, para isso, precisamos também de trazer mais modalidades e mais pessoas para a coletividade.

Recentemente, a carrinha do clube foi destruída por um incêndio durante a festa de São Bento. Que impacto teve essa situação?
S.S: A nossa participação neste tipo de eventos tem como principal objetivo angariar fundos para o clube. Neste caso, tivemos um prejuízo brutal. O seguro automóvel não cobre este dano e a festa também não tinha um seguro que cobrisse a situação. A carrinha estava paga, mas precisamos dela para o funcionamento do clube. Neste momento estamos a contar com o apoio das pessoas. Já publicámos nas nossas redes sociais o IBAN da conta para que quem quiser possa fazer um donativo e também organizámos jantares para angariar fundos.

H.M: Continuamos, também, a marcar presença nos eventos da comunidade. Estivemos na festa de Nossa Senhora dos Aflitos e vamos participar nas Tasquinhas, na Feira Medieval e em iniciativas em Águas Santas.

S.S: É graças à boa vontade das pessoas que conseguimos ter quem esteja presente nestas festas durante toda a semana. Há pessoas que chegaram a aproveitar a própria semana de férias para estar connosco e ajudar o clube. Não posso deixar de agradecer, porque sem elas não conseguiríamos.

E relativamente ao futsal, onde treinam atualmente?
H.M: Os nossos jogos realizam-se na Escola Secundária de Rio Tinto ou em Baguim do Monte.

Quais são, então, os principais objetivos para os próximos anos?
S.S: Queremos continuar a colocar a formação no centro do projeto e trazer novas modalidades para o clube. Queremos que o Juventus da Triana cresça, tenha mais atletas, mais sócios e mais pessoas envolvidas. O objetivo é revitalizar o clube e criar uma estrutura que consiga manter-se no futuro.

V.A: É esse o nosso grande objetivo: voltar a dar vida à coletividade e conseguir que as pessoas sintam que o Juventus da Triana é um clube delas.

Neste momento, e perante as dificuldades que o clube atravessa, que apelo gostariam de deixar à comunidade?
S.S: O principal apelo é sobretudo por causa da situação que nos aconteceu com a carrinha. Queremos pedir às pessoas que nos ajudem. Ficamos de coração cheio com qualquer ajuda, por mais pequena que seja. Para nós, neste momento, toda a ajuda conta e pode fazer a diferença. Queremos continuar a trabalhar, queremos fazer crescer o clube e precisamos da comunidade connosco para conseguir concretizar este projeto.

 

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