Opinião

Para quando o fim da fiarada nos postes?

Já aqui alertamos em tempos não muito longínquos para o triste espetáculo que é percorrer o concelho de Gondomar e, como quem anda de nariz empinado, observar o espaço aéreo das nossas estradas, ruas, avenidas ou praças.

O que se observa nessa degradante paisagem é próprio de países do terceiro mundo. Essencialmente por duas razões dominantes. A primeira diz respeito às redes aéreas de telecomunicações.  Há postes de suporte de todas as espécies. Uns de madeira, outros de cimento, poucos de aço. Uns tortos, outros quase a cair, e outros mais ou menos direitos. De todas as alturas e feitios. Mas com um denominador comum: um emaranhado de fios e caixas de distribuição mais ou menos geringonçadas, que por vezes nem se percebe se estão ligadas ou desligadas.

Há locais onde os fios estão simplesmente pendurados nos postes, dando sinal que as ligações foram cortadas. Noutros os mesmos fios bambeiam ao sabor do vento, porque foram deixados com grandes folgas. Às vezes, alguns estão tão baixos que as pessoas quase lhe tocam com uma simples vassoura. Ou seja, uma vergonha que diz bem da sobranceria e desrespeito que as operadoras de comunicações têm pelas pessoas, e da falta de autoridade por parte dos responsáveis autárquicos.

Quanto à rede elétrica as coisas são um pouco melhores, mas ainda assim suficientemente esclarecedoras sobre a falta de exigência e vigilância por parte do executivo municipal. É certo que, por imperativo legal e por segurança, os cabos elétricos de abastecimento domésticos são encapados, e circulam de forma mais disciplinada, com suportes de fios de aço, ou com uma espessura suficientemente sólida e entrançada.

Mas quando apreciamos as luminárias da iluminação pública também ficamos esclarecidos. Há de tudo: lâmpadas que mais não são do que uma simples presença, candeeiros partidos, postos em risco de queda, centenas de lâmpadas fundidas. E parece que ninguém vigia ninguém, e nada é feito para dar ordem a tudo isto.

Os responsáveis autárquicos não podem ser indiferentes a estes lamentáveis espetáculos. Os direitos de passagem e de utilização do espaço aéreo ou do espaço subterrâneo deve ser gerido de forma clara mas muito exigente. Os monstros que nos fornecem energia ou comunicações a preços muito mais altos que as suas congéneres europeias não podem fazer tudo o que querem, porque não são donos disto tudo, e muito menos da paisagem urbana. Impõe-se que alguém se imponha e exija ordem, respeito, segurança e bons serviços…

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