Concelho de Gondomar Sociedade

Polícia Municipal de Gondomar: 25 anos de história ao serviço da comunidade

Há 25 anos nascia um projeto pioneiro que viria a transformar a forma como o Município de Gondomar se relaciona com a segurança e a proximidade junto da população. A Polícia Municipal de Gondomar assinala um quarto de século de existência, uma data que simboliza muito mais do que uma celebração institucional. É a comemoração de uma força que cresceu lado a lado com o concelho, adaptando-se às exigências de uma sociedade em constante mudança e consolidando-se como um elemento fundamental na vida dos gondomarenses.

Se, no início, a missão passava, quase, exclusivamente pela fiscalização do trânsito e do estacionamento, hoje a realidade é e diferente. A Polícia Municipal é uma presença diária nas ruas, nas escolas, nos bairros sociais, junto dos idosos mais vulneráveis e em inúmeras situações de apoio à comunidade, trabalhando em articulação permanente com a PSP, a GNR e os restantes serviços municipais.

Para quem lidera atualmente a instituição, esta evolução representa motivo de orgulho. O comandante Artur Teixeira, que assumiu funções em outubro de 2014, olha para estes 25 anos como parte da sua própria história profissional. "Pelo menos 50% da vida da Polícia Municipal tenho sido eu a comandar. É um orgulho muito grande. Cheguei aqui sem ser de Gondomar e um dia que saia daqui não vou deixar de aqui pertencer. É pela missão que se tem aqui", afirma.

As palavras refletem o sentimento de pertença que, segundo o comandante, caracteriza a corporação. Mais do que uma estrutura policial, considera que foi sendo construída uma verdadeira equipa, assente na confiança, no espírito de missão e na proximidade entre todos os profissionais.

Ao longo de duas décadas e meia, a Polícia Municipal acompanhou a evolução do próprio concelho. As necessidades da população alteraram-se, as competências foram alargadas e o número de ocorrências aumentou. Para Artur Teixeira, essa evolução aconteceu porque a instituição soube ouvir quem realmente importa.

"Senti muitas mudanças. Algumas senti mesmo na pele. Mais do que as necessidades internas da polícia, foi a própria população que foi pedindo respostas. As pessoas foram reclamando e quem decide começou a perceber que os meios eram escassos."

Atualmente considera que Gondomar necessita de uma Polícia Municipal ainda mais robusta. A corporação conta atualmente com 62 agentes, mas, na sua perspetiva, seriam necessários cerca de 80 elementos para garantir uma resposta ainda mais eficaz nas três grandes áreas de atuação: fiscalização rodoviária, policiamento comunitário e serviço operacional. “O reforço da polícia continua a ser necessário", sublinha.

Apesar do crescimento verificado nos últimos anos, o comandante identifica um problema transversal às forças de segurança portuguesas: a dificuldade em recrutar e manter profissionais. "A Polícia Municipal é uma profissão pouco valorizada. Temos concorrência da PSP, da GNR, da Polícia Judiciária e até do setor privado. Já tive um agente que preferiu pagar a indemnização para abandonar a formação e foi ganhar mais para uma superfície comercial."

Ainda assim, acredita que existem fatores que compensam essa diferença salarial. “O espírito que se cria é um espírito de família, é um sentimento de agregação muito forte."

Durante muitos anos, a imagem da Polícia Municipal esteve associada quase exclusivamente às multas de estacionamento. Contudo, essa perceção está hoje muito distante da realidade. Com o alargamento de competências em 2018, o policiamento comunitário ganhou uma dimensão determinante.

Atualmente, dezenas de idosos são acompanhados regularmente pelos agentes municipais. "Estamos a acompanhar mais de quarenta idosos em vários bairros. Muitas destas situações chegaram até nós durante a pandemia. Encontrámos pessoas completamente sozinhas e tivemos de resolver inúmeros problemas."

Foi precisamente durante a pandemia que a missão da Polícia Municipal ganhou uma dimensão ainda mais humana. Enquanto grande parte da população permanecia em confinamento, os agentes continuaram diariamente no terreno. "Nós nunca ficámos em casa", recorda o comandante.

O acompanhamento social tornou-se uma das imagens de marca da instituição. Ajudar um idoso a utilizar um QR Code, preencher documentação, encaminhar situações sociais ou simplesmente combater a solidão passou a fazer parte das rotinas diárias. "Temos pessoas que não percebem o que é ir à internet. Alguém que lhes faça isso já está a fazer um trabalho extraordinário." Para Artur Teixeira, um dos grandes desafios das próximas décadas será precisamente combater a solidão nos centros urbanos". Temos cada vez mais pessoas sós no meio da multidão".

Apesar das competências distintas, a articulação entre Polícia Municipal, PSP e GNR é apontada como um dos fatores de sucesso do trabalho desenvolvido em Gondomar. "O relacionamento é espetacular. Existe um enorme respeito pelas competências de cada força de segurança e uma colaboração permanente".

Segundo explica, muitas situações detetadas através do policiamento comunitário são encaminhadas para as restantes forças policiais sempre que tal se justifica. "Somos um país com recursos limitados. Devíamos trabalhar todos em conjunto e é isso que acontece connosco."

Outro dos aspetos que tem permitido aumentar a eficácia operacional prende-se com a modernização tecnológica. Praticamente toda a atividade é registada digitalmente. "O trabalho, os registos e as patrulhas são feitos de forma digital. A tecnologia dá-nos mais eficiência e poupa-nos muito tempo". Mesmo perante o recente ataque informático sofrido pelo Município, a Polícia Municipal conseguiu manter a sua atividade. "Não funcionámos exatamente da mesma forma, mas nunca deixámos de o fazer".

Ao longo destes anos foram muitas as ocorrências marcantes. Entre todas, Artur Teixeira destaca os incêndios de 2016. Recorda vários dias praticamente sem dormir até ter verificado para uma nova frente de fogo em Belói. Quando chegou, encontrou uma população em pânico. “Juntei as pessoas, identifiquei-me e expliquei exatamente o que tinham de fazer". Pouco depois ficaram completamente isolados. "O incêndio passou por cima de nós, perdemos a rede de comunicações e toda a gente pensava que tínhamos morrido". O comandante guarda sobretudo uma imagem. "Foi impressionante a confiança que aquelas pessoas depositaram em mim, sem me conhecerem de lado nenhum, porque eu nem estava fardado, e a palavra confiança foi sem dúvida a palavra de ordem."

Se Artur Teixeira representa a liderança atual, José Moreira representa a memória viva da instituição. É um dos agentes que entrou na Polícia Municipal logo no primeiro dia. Vinte e cinco anos depois continua ao serviço. Quando concorreu, admite que pouco ou nada sabia sobre aquilo que iria encontrar. "Nem Gaia tinha ainda agentes de Polícia Municipal na rua. Eu não fazia ideia para o que vinha." Os primeiros tempos foram tudo menos fáceis. A farda era pouco prática, os meios escassos e a população desconhecia completamente a autoridade daquela nova polícia. Andávamos de fato e gravata. Não fazia sentido". A missão era praticamente exclusiva. "Só fazíamos fiscalização de trânsito."

Os turnos prolongavam-se durante 24 horas consecutivas e, muitas vezes, apenas um agente assegurava todo o serviço. “Houve muitas noites em que estava completamente sozinho. Bastava tocar o telefone para sair imediatamente. Uma realidade impensável atualmente. O reforço de agentes foi fundamental."

Ao longo destes anos viveu momentos particularmente difíceis. Um dos mais marcantes aconteceu durante uma ação de fiscalização na Feira de Gondomar. "Houve uma situação de violência que terminou com agentes assistidos no hospital." Apesar das dificuldades, nunca perdeu a paixão pela profissão. "É um orgulho enorme. Eu sempre fui polícia. Não me imagino a fazer outra coisa."

Quando lhe pedem para resumir um quarto de século de serviço, responde sem hesitar: "Sacrifício, orgulho... e será assim até à reforma." Natural de Gondomar, considera que conhecer profundamente o território sempre foi uma vantagem. "É a minha cidade. Faz todo o sentido servir a população daqui."

Sobre as novas gerações, reconhece diferenças. “Destaco a maior preparação tecnológica dos novos agentes, mas lembra que também é necessário transmitir experiência e sentido de responsabilidade”.

Para o presidente da Câmara Municipal de Gondomar e responsável máximo por este meio de segurança, Luís Filipe Araújo, os 25 anos da Polícia Municipal representam um percurso de afirmação.

Ao longo dos últimos doze anos acompanhou de perto a evolução da instituição e considera que o balanço não podia ser mais positivo. "Hoje a Polícia Municipal tem cerca de 60 elementos e já permite uma intervenção visível na comunidade." Num concelho com cerca de 160 mil habitantes e dois importantes polos urbanos, acredita que esta força terá um papel cada vez mais relevante.

"A PSP tem tido dificuldades em manter o número de efetivos e nós vamos continuar a ajudar a PSP e a GNR em tudo aquilo que estiver ao nosso alcance." Na visão do autarca, a Polícia Municipal assume atualmente um papel complementar absolutamente indispensável.

Destaca, sobretudo, o trabalho de proximidade. "Vai regularmente a casa das pessoas perceber quais são as suas necessidades, nem que seja mudar uma lâmpada. Esse trabalho é tão importante quanto a fiscalização ou a segurança rodoviária”.

Por essa razão, a Câmara Municipal pretende continuar a investir. Está prevista a abertura de concurso para mais 15 agentes. "Precisamos que a nossa comunidade se sinta segura. Queremos reforçar ainda mais a presença da Polícia Municipal na rua”.

Vinte e cinco anos depois da sua criação, a Polícia Municipal de Gondomar apresenta uma realidade muito diferente daquela que existia em 2000. Cresceu em número de efetivos, em competências, em capacidade operacional e, sobretudo, na relação de confiança construída com a população. Os desafios continuam a existir: reforçar recursos humanos, valorizar a carreira, modernizar equipamentos e responder às novas exigências sociais.

Mas há um objetivo que permanece inalterado desde o primeiro dia: estar ao serviço dos cidadãos. Na mensagem deixada por ocasião deste aniversário, Artur Teixeira resume aquele que continua a ser o propósito da instituição. "Podem sempre contar com a Polícia Municipal na defesa dos seus interesses, dentro do quadro da legalidade. Queremos fazer a diferença sobretudo junto daqueles que não têm voz para pedir ajuda."

É precisamente essa proximidade que explica a evolução de uma instituição que começou praticamente do zero e que, um quarto de século depois, é reconhecida como uma das principais referências de segurança e apoio comunitário no concelho de Gondomar.

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