Com um novo vocalista, uma identidade sonora que cruza o rock clássico com influências do metal moderno e um novo álbum a caminho, os WILDCHAINS vivem uma fase de crescimento e afirmação. A banda, formada por Sandro Rodrigues, João Louro, Sérgio Oliveira, Filipe Nobre e Artur Loureiro, prepara-se para lançar The Great Fado, um trabalho que explora temas como o destino, a saudade e a inevitabilidade da vida. Nesta entrevista, os músicos falam sobre as origens do projeto, os sonhos para o futuro e a paixão que os une à música.
Como surgiu a ideia de criarem os WILDCHAINS?
João Louro: A banda nasce, de certa forma, da recuperação de um projeto antigo que eu e o Sérgio tínhamos chamado Red Lands. Foi uma banda de 2016, na qual chegámos a compor músicas originais e a dar alguns concertos. Entretanto, a atividade acabou porque éramos muito jovens e ainda estávamos a descobrir o nosso caminho. Mais tarde decidimos retomar algumas dessas músicas e voltar a trabalhar nelas.
Sérgio Oliveira: Inicialmente era um projeto mais associado a mim. O próprio logótipo da banda tem um "W" ligado ao meu nome artístico. Mas à medida que fomos criando e desenvolvendo ideias, percebi que cada elemento estava a colocar muito de si no projeto. Deixou de fazer sentido ser algo individual quando todos estavam tão envolvidos. Acabámos por construir uma verdadeira banda.
O Sandro veio acrescentar algo que procurávamos há algum tempo. A sua experiência no teatro trouxe uma dimensão mais visual e narrativa aos espetáculos, enriquecendo muito a nossa identidade.
Como definem o vosso estilo musical?
Gostamos de nos definir como uma banda de heavy rock. O rock é a nossa base, mas cada um traz influências muito diferentes. Há elementos do metal, do hard rock, do rock clássico e até de outros géneros. Temos atuado em contextos muito distintos, desde salas emblemáticas como o Hard Club até festas populares, e a receção tem sido sempre muito positiva. Procuramos criar um som que consiga chegar a diferentes públicos sem perder a sua identidade.
Quando começaram a tocar com esta formação atual?
A formação atual está junta há cerca de dois meses. O primeiro concerto com o Sandro como vocalista aconteceu a 9 de maio, num bar de rock em Sarria, na Galiza. Recentemente participámos também num espetáculo solidário de apoio à Associação de Paralisia Cerebral de Braga, onde tivemos de adaptar algumas músicas para um formato mais acústico.
Quais são as vossas principais influências musicais?
Todos temos referências muito diferentes. Alguns de nós vêm do rock clássico, do hard rock ou do groove, enquanto outros estão mais ligados ao metal progressivo e moderno.
Bandas como Led Zeppelin, Queen e Avenged Sevenfold fazem parte das nossas influências, assim como músicos como Slash. Temos até um baterista com forte ligação ao jazz. No fundo, tentamos juntar vários mundos para criar algo que vá além do rock convencional.
Sandro Rodrigues: Eu vinha de um projeto chamado Windy Folk, ligado a uma música mais leve. Nunca tinha cantado rock profissionalmente, mas gosto dos desafios e esta foi uma oportunidade de explorar uma nova vertente enquanto vocalista.
Estão prestes a lançar um novo álbum. O que podem revelar sobre esse trabalho?
O álbum chama-se The Great Fado e representa uma nova fase para a banda. Neste universo, o "Fado" surge como uma entidade que simboliza a morte, o destino, a saudade e a tristeza. Cada música é uma viagem por esse mundo conceptual. O disco está dividido em duas partes. A primeira foi gravada com o vocalista anterior e esta nova fase contará já com a voz do Sandro.
Embora cantemos em inglês, não esquecemos as nossas raízes portuguesas. O próprio conceito do álbum nasce de uma palavra que não tem tradução direta para muitas línguas. No futuro queremos também explorar a música em português e a ideia é incluir uma canção na nossa língua no próximo álbum.
Quais são os objetivos da banda para os próximos anos?
Gostamos de pensar por etapas. A curto prazo queremos continuar a internacionalização da banda. Já demos os primeiros passos com atuações em Espanha e queremos tornar-nos um nome cada vez mais presente nos cartazes.
O objetivo passa por deixar a nossa marca no mundo da música e chegar a mais pessoas através do nosso trabalho.
Qual é o vosso palco de sonho?
Wembley seria um sonho para qualquer banda de rock. É um palco icónico.
Também gostaríamos muito de atuar no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro. Em Portugal, festivais como Vilar de Mouros e Paredes de Coura fazem parte da nossa lista de objetivos.
Há algo que mudariam no percurso da banda até aqui?
Sinceramente, não. Os erros fazem parte do processo e ajudam-nos a chegar onde estamos hoje. Arrependemo-nos mais das oportunidades que não aproveitámos por medo ou insegurança do que dos erros cometidos. Falhar é inevitável. O importante é aprender a falhar melhor e usar essas experiências para crescer.
Como conciliam a música com a vida profissional e pessoal?
Tal como acontece com muitas bandas independentes, todos temos outras responsabilidades. Mas, como acreditamos muito neste projeto, fazemos os possíveis para adaptar a nossa vida à banda e encontrar um equilíbrio que funcione para todos.
Quantas vezes ensaiam por semana?
Neste momento ensaiamos uma vez por semana, sobretudo porque estamos focados na preparação dos próximos espetáculos.
Temos trabalhado muito o impacto visual dos concertos e a componente performativa. Existe uma grande química entre todos os elementos e acreditamos que isso se reflete na música e na forma como nos apresentamos em palco.
O nosso objetivo é proporcionar experiências marcantes e, de alguma forma, impactar positivamente quem nos vê atuar.
Que conselho deixariam aos mais jovens que sonham ter uma banda?
Que arrisquem. Saiam de casa, descubram coisas novas, ouçam música de todos os géneros e não tenham medo de experimentar. A música é uma linguagem universal e os estilos servem apenas como orientação. Não deixem que o medo ou a insegurança vos impeçam de seguir aquilo que realmente gostam de fazer.
A quem gostariam de agradecer?
A todas as pessoas que acreditaram em nós desde o início. Às famílias, aos amigos, aos profissionais que cruzaram o nosso caminho e, acima de tudo, a todos aqueles que continuam a apoiar-nos e a acompanhar a nossa evolução.
Onde podem os fãs acompanhar o trabalho dos WILDCHAINS?
Os WILDCHAINS estão presentes nas principais plataformas digitais:
- Website: www.wildchains.pt
- Instagram: @wildchains.pt
- Facebook: WILDCHAINS
- TikTok: @wildchains.pt
- YouTube: WILDCHAINS